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terça-feira, 21 de junho de 2011

HOMENAGEM: TRÍPTICO DOMÉSTICO NO FLUXO DO TEMPO... - FÁTIMA INÁCIO GOMES( PORTUGAL)



Foto: Pintura de Marek Langowski




TRÍPTICO DOMÉSTICO NO FLUXO DO TEMPO...


FÁTIMA INÁCIO GOMES (PORTUGAL)



1
No dia em que bateste
à porta, eu não estava.
Tinha-me ido visitar
lá para as bandas do fim
ou talvez te tivesses
enganado na porta
pois dificilmente
me acharás em mim.


Hoje tiveste sorte
não me apeteceu sair
encontras-me é, assim,
de robe, despenteada
não é este o modo
de receber, bem sei...
mas há dias em que
outra não sei parecer.


Entra e não repares
na grande desarrumação
arrumava-me por dentro
tenho ainda as ideias
espalhadas pelo chão.
Sê gentil e vê se me ajudas
Vê se reconheces os pedaços
Que são meus
Há tanta gente
a impor-me ideias
que já não distingo o que é meu.


Não há pão
para pôr na mesa
nada tenho
para te oferecer
consumi toda a água
que havia
na sede de sobreviver

Senta-te aqui no sofá
Ainda há partes de
Mim, estofadas.
Podem é as cortinas
Estar desbotadas
Por força de tanto as ter
Cerradas...


Sim, abrirei as janelas
Sim, deixarei a porta no trinco
Espanejarei a sala de visitas e
colocarei flores na jarra.
Sempre que quiseres vem visitar-me
Estarei por aqui
Mas quando o fizeres
Traz água, por favor...

Não deixemos
as flores
morrer.


2
Há muito que a Tristeza
habita em mim
e eu sem a querer receber
empurro-a pelas escadas
esmago-a contra os muros
da minha muito lúcida razão.


Ela resiste, tristonha,
Cola-se à alma rasgada
Alimenta-se do meu sofrer
E em cada sorriso qu' ensaio
Espreita
para me escarnecer

Há dias em que anoitece
Logo desde o amanhecer


Terei de lhe enviar um convite
Gentil, para Ela perceber
Qu'eu não fui feita para ser triste
Por isso não a posso receber

Mas se a impertinente demora
Poderá o dia chegar
Em que a tristeza de fora
Se instale de vez em mim
E não mais se queira mudar.

3
Apetece-me ser
Irreverente
Inconsequente
Imprudente
Viver a vida com furor
Mesmo arriscando à dor

Apetece-me saltar
Nas poças da vida
Perturbando a paz
Do gato da vizinha
- Não, minha senhora
Não me vou portar bem!
Esse fato não me quadra
Nem a hipocrisia da cor
Me convém!

E a cabeça da medusa
Desapareceu, confusa
Despida da maledicência
Já pouco poder tem.

E lá continuo eu, alegre,
Saltando nas poças da vida
E há momentos até
Que o gato da vizinha
Vem saltitar a meu pé.



IN:http://abnoxio.weblog.com.pt/arquivo/poesia_de_fatima_inacio_gomes/index0

domingo, 10 de abril de 2011

MOMENTO DISCENTE: SER - STEFANY CIOLFI DE SOUZA (BRASIL)*



Foto: Masters



SER


STEFANY CIOLFI DE SOUZA (BRASIL)



Ser é um mistério.
Um mistério quase sem solução.
Assim como os mistérios da vida
A gente pensa...
E pensa.


E no final,
a solução está debaixo de nosso nariz...
Em frente aos nossos olhos



lendo e escrevendo
Amando e procurando


Mas podes crer, tudo vai dar certo
Seus sonhos podem ser realizados...


É só pensar
É só ler
É só criar
É só imaginar!



* Em aula de Produção Textual

segunda-feira, 21 de março de 2011

21 DE MARÇO: DIA MUNDIAL DA POESIA!!!!! - VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)



Foto: Improviso, desenho de Vanda Lúcia da Costa Salles (Brasil)



21 DE MARÇO: DIA MUNDIAL DA POESIA



VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)




Esse singular desejo que nos invade
tão indecente que até evade
às tramas ardilosas
da mediocridade
que tenta
tenta
e
atenta, pensa acertar as asas da poesia nos dias todos
em que o amor chega e abraça-nos em aconchego
deixando um rastro de meu dengo
nas fronhas assanhadas
desse tempo
É certo que efêmera essa pós-modernidade singra
quantos mares for preciso navegar e viver nem sempre é o que se quer
porém amor também apronta e míngua até na língua o sal
é um pré
e se perdemos no dourado dessa vida pouca
a lira canta
o que a Musa apronta, tonta a Lua
encanta
E todos nós, poetas em desalinhos, comunicamos:
FOR & NICA @
É
um soul.

sexta-feira, 18 de março de 2011

POESIA: HAI-CAIS- VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)*



Foto: Bandeira do Brasil




Foto: Couple-crochet




HAI-CAIS




Um peixe sonha infinito
O dia promete espanto e canto
águas turvas, jamais!


*


poesia em minha janela
você sorrindo
a fim.

*


o vento sopra ansioso nas folhas
solidão não cabe no peito
no ar: amor.




âncoras amando no tempo é arte
nas mãos do homem há paz
obra-prima!



* VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES: nasceu em Italva, interior do Rio de Janeiro, Brasil, em 25 de abril de 1956. É escritora, poeta, ensaísta, artista plástica, tradutora e conferencista.Graduada em Letras/Português-literaturas, pela UERJ/FFP;Pós-Graduada em Literatura Infanto-Juvenil pela UFF;e em Arteterapia na Saúde e na Educação pela pela UCAM.Catedrática de Literatura do Museu Belgrano(Argentina), ortogada pelo Fundador e Diretor Dr. Ricardo Vitiritti; Diretora Internacional do Taller Artístico Alas Rotas-Alitas de América, nomeada pela Fundadora e Diretora Geral do T.A.A.R., em Argentina Srª Silvia Aida Catalán; Fundadora e Diretora do ENLACE MPME MUSEU PÓS-MODERNO DE EDUCAÇÃO.

Publicou: No tempo distraído (narrativas, Ágora da Ilha,2001),Diversidades e Loucuras em Obras de Arte- um estudo em Arteterapia (ensaio, Ágora da Ilha, 2001),A palavra do menino e as abobrinhas ( infanto-juvenil), HP.Editora,2005), O chamado das musas.Pô-Ética Humana: o enigma do recheio- a arteterapia ao sabor da educação brasileira(pesquisa poética em arte e educação, Creadores Argentinos, 2008; Núncia Poética (poesias, Cbje,2010). Participa também das seguintes antologias: Os melhores poetas brasileiros Hoje/1985(Shogum Editora, 1985), III Encuentro Nacional de Narradores y Poetas - Unidos por las Letras!-2009-Bialet Massé (Córdoba, Argentina,2009), Poesia em Trânsito-Brasil/Argentina (La Luna Que, Buenos Aires, 2009, e 1º Antología Literaria Nacional e Internacional 2010 " Ser Voz en el Silencio, S.A.L.A.C. va.Carlos Paz, Córdoba-Argentina (Galia's, Editora Independiente,2010.

sexta-feira, 11 de março de 2011

HOMENAGEM: NAVEGAR OU VOAR- YAO FENG ( CHINA/MACAU)



Foto: Bandeira de Macau




Foto: Yao Feng

(In: http://regisbonvicino.com.br/catrel.asp?c=14&t=175)




NAVEGAR OU VOAR


YAO FENG (CHINA/MACAU)


Sufocados pela monotonia da vida, eles
respiram só neste momento
em que ele estreita a cabeça dela nos braços
a falar do amor, e até da morte
como se a morte fosse o amor sublimado
e a escada para o paraíso.

No lençol em desalinho e molhado,
o mar ainda a ondular
e a tempestade, a ocupar o céu.
Eles continuam a navegar ou voar
mesmo com o destino condenado à terra.



*YAO FENG: pseudônimo de YAO JINGMING, nasceu em Pequim, em 1958, e atualmente é docente na Universidade de Macau. Dedica-se à tradução, escreve crônicas, faz crítica literária e já publicou, em chinês e em português, seis obras de poesia, nos quais se destacam Nas asas do vento cego (1990), A noite deita-se comigo (2001), Canto para longe (2006), Poemas escolhidos, 2002-2008 (2008). Os poemas foram integrados em numerosas seletas. Na China recebeu vários prêmios e coordena a revista Poesia Sino-Ocidental. Em 2006 recebeu a medalha da Ordem Militar de Santiago de Espada, atribuída pelo Estado português.