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terça-feira, 28 de junho de 2011

POESIA: MILAGRE - VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)*


Foto: Pintura de Vanda Lúcia da Costa Salles (Acervo da artista)




MILAGRE


VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES(BRASIL)






Um peixe
repartido entre pães
sacia a fome
de quem sucumbia perdido da fé
posta ao Amor aguarda-se firme
compele à mesa quem
como o peixe
oferta-se
Sonho


Das Musas espera-se o convite!






*VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES: nasceu em Italva, interior do Rio de Janeiro, Brasil, em 25 de abril de 1956. É escritora, poeta, ensaísta, artista plástica, tradutora e conferencista.Graduada em Letras/Português-literaturas, pela UERJ/FFP;Pós-Graduada em Literatura Infanto-Juvenil pela UFF;e em Arteterapia na Saúde e na Educação pela pela UCAM.Catedrática de Literatura do Museu Belgrano(Argentina), ortogada pelo Fundador e Diretor Dr. Ricardo Vitiritti; Diretora Internacional do Taller Artístico Alas Rotas-Alitas de América, nomeada pela Fundadora e Diretora Geral do T.A.A.R., em Argentina Srª Silvia Aida Catalán; Fundadora e Diretora do ENLACE MPME MUSEU PÓS-MODERNO DE EDUCAÇÃO. Publicou: No tempo distraído (narrativas, Ágora da Ilha,2001),Diversidades e Loucuras em Obras de Arte- um estudo em Arteterapia (ensaio, Ágora da Ilha, 2001),A palavra do menino e as abobrinhas ( infanto-juvenil), HP.Editora,2005), O chamado das musas.Pô-Ética Humana: o enigma do recheio- a arteterapia ao sabor da educação brasileira(pesquisa poética em arte e educação, Creadores Argentinos, 2008; Núncia Poética (poesias, Cbje,2010). Participa também das seguintes antologias: Os melhores poetas brasileiros Hoje/1985(Shogum Editora, 1985), III Encuentro Nacional de Narradores y Poetas - Unidos por las Letras!-2009-Bialet Massé (Córdoba, Argentina,2009), Poesia em Trânsito-Brasil/Argentina (La Luna Que, Buenos Aires, 2009, e 1º Antología Literaria Nacional e Internacional 2010 " Ser Voz en el Silencio, S.A.L.A.C. va.Carlos Paz, Córdoba-Argentina (Galia's, Editora Independiente,2010.

domingo, 26 de junho de 2011

HOMENAGEM:MARAMBAIA - OMARA PORTUONDO(CUBA) E MARIA BETHÂNIA(BRASIL)



POR: BISCOITO FINO

Direção, imagens e roteiro: Bruno Natal
Produção executiva: Pedro Seiler e Renata Mader
Edição: Rafaell Mellin e Daniel Ferro
Arte: Adriano D'Aguiar e Juarez Escosteguy
Produção: Videograma e Mellin Videos


PARA CONTEMPLAR, OUVIR E DESFRUTAR...ESSES VALORES IMPERDÍVEIS!!!

sexta-feira, 24 de junho de 2011

POESIA: VIDA, Ó VIDA, QUE DELÍCIA ESSE SENTIR - VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)


Foto: Acrílica s/tela, de Vanda Lúcia da Costa Salles (acervo: Vera Nely Cruz)



VIDA, Ó VIDA, QUE DELÍCIA DE SENTIR


VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)


O poema veio como quem não quer nada
debruçou-se em minha mesa,
bebeu de minha essência,
agitou os meus segundos
e
a languidez das águas, agitou como ninguém.
Nada quis guardar,
aliás,
espalhou de propósito todos os sonhos e utopias,
Convidou os amigos a escancararem as portas,
e depois,
aconchegarem-se nesse cantinho especial
( cor de verde folha),
onde a poesia pousa leve,mas
com toda a força dessa loucura que habita em mim: delírio d'alma.
Amor não cansa, nunca. Penso, que sim.
Vida, ó vida, que delícia de sentir!

quinta-feira, 16 de junho de 2011

POESIA: A VOCÊ, QUE NADA SABE DE MIM - VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)*



Foto: Viagem romântica- Marek Langowiski



A VOCÊ, QUE NADA SABE DE MIM



VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)


Como perdoar-lhe o que em mim se fez olvido,
Ainda que o Amor se arraste como gata no cio?
Se a viagem romântica esgotou-se quando a onda amadureceu
porque as águas do rio não continuaram as mesmas,
entretanto, bem sabes,
a água permanece lá. Na boca, o gosto.
Se amargo na desilusão, agora flama livre na vida
E corre quaisquer correntezas e salta grande,
na imensidão do sonho elaborado.

Às vezes, ousar faz parte.


Ausência nem sempre é perda,
até nas mãos a rosa se cria,
perfume é lenta paisagem,
mas de mim terás sempre o olhar e o mesmo sorriso.
Saiba,
o tempo marcou forte o desejo


Inocência era o que exprimia no corpo,sereia,
mesmo sendo a cútis reveladora.
E aquela música linda na janela: crisântemos
pintam a Lua em fases. Só recordações espraiam-me, ó poesia!


Amor, por que não tivemos tempo no tempo, se
o tempo parou para nós?


*VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES: nasceu em Italva, interior do Rio de Janeiro, Brasil, em 25 de abril de 1956. É escritora, poeta, ensaísta, artista plástica, tradutora e conferencista.Graduada em Letras/Português-literaturas, pela UERJ/FFP;Pós-Graduada em Literatura Infanto-Juvenil pela UFF;e em Arteterapia na Saúde e na Educação pela pela UCAM.Catedrática de Literatura do Museu Belgrano(Argentina), ortogada pelo Fundador e Diretor Dr. Ricardo Vitiritti; Diretora Internacional do Taller Artístico Alas Rotas-Alitas de América, nomeada pela Fundadora e Diretora Geral do T.A.A.R., em Argentina Srª Silvia Aida Catalán; Fundadora e Diretora do ENLACE MPME MUSEU PÓS-MODERNO DE EDUCAÇÃO. Publicou: No tempo distraído (narrativas, Ágora da Ilha,2001),Diversidades e Loucuras em Obras de Arte- um estudo em Arteterapia (ensaio, Ágora da Ilha, 2001),A palavra do menino e as abobrinhas ( infanto-juvenil), HP.Editora,2005), O chamado das musas.Pô-Ética Humana: o enigma do recheio- a arteterapia ao sabor da educação brasileira(pesquisa poética em arte e educação, Creadores Argentinos, 2008; Núncia Poética (poesias, Cbje,2010). Participa também das seguintes antologias: Os melhores poetas brasileiros Hoje/1985(Shogum Editora, 1985), III Encuentro Nacional de Narradores y Poetas - Unidos por las Letras!-2009-Bialet Massé (Córdoba, Argentina,2009), Poesia em Trânsito-Brasil/Argentina (La Luna Que, Buenos Aires, 2009, e 1º Antología Literaria Nacional e Internacional 2010 " Ser Voz en el Silencio, S.A.L.A.C. va.Carlos Paz, Córdoba-Argentina (Galia's, Editora Independiente,2010.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

SALVE! SALVE! FELIZ DIA DO ESCRITOR!



Foto: Poetas, Ensaístas e Críticos Literários, no Centro de Estudos Brasileiros, em Buenos Aires, Argentina-T.A.A.R




Foto: Poetas e Narradores no III Encontro, em Bialet Massé-Argentina




SALVE! SALVE! FELIZ DIA DO ESCRITOR!



VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)



As palavras deixam em nós, quase sempre,
uma ferida ardente,
um queixume de amor inalterado, desses
que a todos os instantes nos surpreendem
até as lágrimas cristalizarem-se, eternecidas.
Há palavras que nos atravessam e tangem
como um símbalo tristonho
quando no esmero do seu gemido, congela
o avaro cotidiano e o seu vômito cru.
Sim, as palavras mais que nos amam
e, a nos amar se faz pétala sussurrante
para que as nossas vozes, jamais se calem,
no momento exato,em que devem ser voz.
O amor as palavras, em nós, é elegante entrega.
Ato consciente de quem sabe
que sem elas,palavra,
não há o ser que sendo se inscreve,
na palavra que é,
larva incandescente,
só poesia,
em deserto pleno,
Amor,
no infinito d'alma
que a rege.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

POESIA: MENINA DE OLHOS NEGROS-VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)*



Foto: Ilha de Itaoquinha (São Gonçalo)



MENINA DOS OLHOS NEGROS


VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)



menina dos olhos negros
cabelos aos ventos
cai, levanta, corre na
beleza da imaginação
na Ilha de Itaoquinha.


menina dos olhos negros
vontade férrea de minh'alma
que canta alegre
em vida,
broto do Amor.


menina dos olhos negros
em forma de jabuticaba
A Arte bate na porta,
será que já é hora?



VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES: nasceu em Italva, interior do Rio de Janeiro, Brasil, em 25 de abril de 1956. É escritora, poeta, ensaísta, artista plástica, tradutora e conferencista.Graduada em Letras/Português-literaturas, pela UERJ/FFP;Pós-Graduada em Literatura Infanto-Juvenil pela UFF;e em Arteterapia na Saúde e na Educação pela pela UCAM.Catedrática de Literatura do Museu Belgrano(Argentina), ortogada pelo Fundador e Diretor Dr. Ricardo Vitiritti; Diretora Internacional do Taller Artístico Alas Rotas-Alitas de América, nomeada pela Fundadora e Diretora Geral do T.A.A.R., em Argentina Srª Silvia Aida Catalán; Fundadora e Diretora do ENLACE MPME MUSEU PÓS-MODERNO DE EDUCAÇÃO. Publicou: No tempo distraído (narrativas, Ágora da Ilha,2001),Diversidades e Loucuras em Obras de Arte- um estudo em Arteterapia (ensaio, Ágora da Ilha, 2001),A palavra do menino e as abobrinhas ( infanto-juvenil), HP.Editora,2005), O chamado das musas.Pô-Ética Humana: o enigma do recheio- a arteterapia ao sabor da educação brasileira(pesquisa poética em arte e educação, Creadores Argentinos, 2008; Núncia Poética (poesias, Cbje,2010). Participa também das seguintes antologias: Os melhores poetas brasileiros Hoje/1985(Shogum Editora, 1985), III Encuentro Nacional de Narradores y Poetas - Unidos por las Letras!-2009-Bialet Massé (Córdoba, Argentina,2009), Poesia em Trânsito-Brasil/Argentina (La Luna Que, Buenos Aires, 2009, e 1º Antología Literaria Nacional e Internacional 2010 " Ser Voz en el Silencio, S.A.L.A.C. va.Carlos Paz, Córdoba-Argentina (Galia's, Editora Independiente,2010.
*

sábado, 14 de maio de 2011

HOMENAGEM: ESTAÇÃO DOS HOMENS - ANDRÉE CHEDID (FRANCO-EGÍPCIA)*



Foto: Bandeira da França






Foto: Andrée Chedid (França)




SAISON DES HOMMES




Sachant qu’elle nous sera ôtée,
Je m’émerveille de croire en notre saison,
Et que nos cœurs chaque fois
Refusent l’ultime naufrage.
Que demain puisse compter,
Quand tout est abandon ;
Que nous soyons ensemble
Egarés et lucides,
Ardents et quotidiens,
Et que l’amour demeure après le discrédit.



Je m’émerveille du rêve qui sonde l’avenir,
Des soifs que rien ne désaltère.
Que nous soyons chasseurs et gibiers à la fois,
Gladiateurs d’infini et captifs d’un mirage.




Les dés étant formels et la mort souveraine,
Je m’émerveille de croire en notre saison.






SAÏD, O RAPAZ DO LAMPIÃO






Toni estava saturado de andar às voltas no templo de Karnak, no grupo dos turistas.
As sandálias cheias de areias e de pequenas pedras feriam-lhe os pés. A mãe tinha-o obrigado a vestir uns calções que lhe davam pelo joelho e a calçar peúgas caqui. O cúmulo do ridículo era aquele chapéu de palha de aba larga, para o proteger do sol; eles eram os únicos na família que tinham aquela cor delicada e muito branca, herdada de um antepassado longínquo, caucasiano.
Toni sentia-se ridículo dentro daquela indumentária e debaixo daquele chapéu.
A mãe virou para ele o seu lindo rosto redondo, encimado de um tufo de cabelos castanhos encaracolados sobre os quais assentava um chapéu parecido com o do filho.
— Anda depressa! Despacha-te, meu querido. Vamos perder-nos do grupo!
Era isso mesmo o que Toni queria: perder-se do grupo, deixar o cortejo, não ter de ouvir mais a voz fanhosa do guia! A cabeça do homem alto e esguio surgia num vai-vem ritmado sobre aquele mar de cabeças. Saltando do inglês para o alemão, depois para o francês, esforçava-se, em vão, através de verdadeiras proezas de memória e eloquência, por fazer reviver a antiga majestade e esplendor daqueles lugares.
— É o teu país, Toni. Tens de conhecer a sua história.
Grupos de crianças andrajosas assediavam amiúde os turistas. Com lamúrias e olhares suplicantes, as mãos erguidas em concha, pediam esmola com ar brincalhão, mas com tal insistência, que nada os fazia arredar dali.
O guia, esgotada a reserva de insultos e já fora de si, acabou aos pontapés àquele magote de miúdos. Rapidamente se juntaram a ele os turistas munidos dos seus enxota-moscas, que volteavam no ar e deixavam cair, com um estalido seco, em cima das crianças.
Até Noda assim procedia. Indignado, Toni arrancou o enxota-moscas das mãos da mãe e partiu-o com os pés.
— Como é que tens coragem de fazer isso, mãe?
Um rapazote com cerca de doze anos, de barrete azul-pervinca na cabeça, destacou-se do grupo. Baixou-se, apanhou o objecto partido e entregou-o à dona, murmurando: Maalesh, maalesh, (Não faz mal, não faz mal!) com um sorriso malandro e solícito, o que fez redobrar a vergonha de Toni.
Noda, que durante anos se interessara apenas por vestidos, festas e por tudo o que lhes dizia respeito, acabava de se apaixonar pela “cultura”. Estava na moda! Fosse no Egipto, na França, na Grécia, na Itália, percorria agora os museus e os recantos, a fotografar, sem descanso, tudo o que lhe aparecia pela frente e, no regresso, reunia família e amigos e massacrava-os com sessões intermináveis de projecção de diapositivos.
— Olha, se queres, empresto-te a minha máquina fotográfica — propôs ela ao filho para o cativar.
Ele simplesmente recusou. Só a ideia de juntar imagens insípidas às que já lá estavam, de achatar os monumentos eternos, de banalizar sóis e rostos de pedras, só isto o deixava enjoado.
Ao longe, ouviu o burburinho entusiasta da multidão, viu os rápidos e repetidos brilhos dos flashes, enquanto, recolhidas no silêncio de um outro mundo, as colossais estátuas mantinham o olhar fixo no horizonte.
O campo de ruínas estendia-se ao longe. Toni acabava de ver um obelisco que lhe fazia lembrar o da praça da Concórdia, em Paris. A mãe agarrou aquela oportunidade:
— Bravo, Toni! — encorajou-o ela, enquanto consultava o Guia Azul. — O obelisco de Paris foi oferecido à França em 1831 por Méhémet Alil. O outro que estás a ver além, a seguir às colunas, é o da rainha Hatchepsout.
Toni desatou a rir.
— Porque é que te ris?
— Nunca te ouviste a pronunciar esse nome esquisito, pois não?
Noda arrependeu-se de o ter trazido consigo naquelas férias da Páscoa; estragava-lhe qualquer prazer. Ainda fez uma ou duas tentativas para lhe explicar, ela, que tinha decorado tudo aquilo antes da viagem. Dramatizou a lenda de Amon, o deus dos deuses; deu vida à história de Ramsés II, o incomparável conquistador. Mas Toni não perdia aquele seu ar distante e indiferente.
Lembrou-se de que o filho era particularmente dotado para as matemáticas e, para o interessar, alinhou uma série de números e medidas.
— Sabes que um colosso sentado tem mais de quinze metros de altura? Que os pilares…
— O que é isso de pilares?
— São aquelas torres maciças erguidas de ambos os lados da porta de pedra. Pois bem, cada uma delas mede cento e treze metros de largura, quarenta e três metros e meio de altura e quinze metros de espessura. Vê só, Toni, quinze metros de espessura!
Mas Toni teria preferido percorrer as ruínas sozinho: trepar à vontade até ao cimo de um dos pilares para contemplar aquele domínio de morte e de sobrevivência; sentar-se no colo de um deus ou de uma deusa; encavalitar-se num dos quarenta carneiros alinhados de ambos os lados de uma alameda, e talvez mesmo refrescar-se na água do lago sagrado!
O crepúsculo cobria o céu. Preparava a sua resplandecente descida sobre aquele canteiro de ruínas. Se estivesse rodeado de silêncio, Toni teria certamente apreciado o final do dia no meio daqueles resplendores enigmáticos.
A visita guiada chegava ao fim. O azul do céu escureceu. Em breve surgiria uma plêiade de estrelas. No momento em que Noda subia para uma das muitas caleches que conduziam os turistas aos respectivos hotéis, Toni anunciou:
— Eu vou a pé. Não te preocupes; à hora de jantar, lá estarei.
Era demasiado tarde para o chamar. Depois de um último adeus, sumiu-se numa ruela, correndo em direcção à povoação mais próxima. Noda tranquilizou-se, dizendo a si própria que era uma atitude sensata alargar a rédea ao filho — sobretudo por coisa tão sem importância.
Ao ver o seu menino de costas, deu-se conta de que ele já tinha porte de homem!
Toni não fazia ideia do que iria encontrar.
Tirou o chapéu de palha, pô-lo debaixo do braço, achatando-o, e sacudiu a areia dos sapatos. Depois, afastou-se da terra, seguindo por uma vereda de asfalto. Até que enfim, ele próprio, solto, livre, feliz!
De longe, viu a grande estrada que conduzia ao Cairo, mas avançou na direcção oposta, rumo ao pontão que atravessa o canal e leva à aldeia de Luxor. Para o atravessar, seguiria as ruelas que tinha tirado do mapa do Guia Azul e anotado na sua agenda. Dirigir-se-ia assim, a passo lento, até ao Palace Hotel, onde a mãe o esperava para jantar.
De repente, sentiu um desejo enorme de se aproximar, de forma diferente, de algumas daquelas figuras colossais de esfinges de cabeça humana, que os turistas como que haviam apagado ou suprimido com tantos gestos e palavras. Toni afastou-se da pequena povoação. A cantarolar, seguiu a bifurcação no sentido do templo erguido não longe do Nilo.
No caminho deserto, iluminado por raros lampiões, percorreu, sozinho, o alto muro da muralha, encoberto pela noite. No final do caminho estreito, o quinto e último lampião abrigava, por detrás da caixa de vidro coberta de pó, uma luz bruxuleante, um pouco menos pálida do que as anteriores. Um círculo amarelado e luminoso, como se tivesse sido traçado a compasso, iluminava a parcela de terreno à volta do pé escurecido.
Encostada ao pé do candeeiro de ferro fundido, estava uma criança sentada de pernas cruzadas.
Ao aproximar-se, Toni reconheceu, pelo azul-pervinca do barrete, o rapazote que tinha apanhado o mata-moscas para o entregar a Noda.
Nenhum ruído o fazia reagir. Toni parou, esperou, procurou compreender o motivo daquela imobilidade.
Entre as pernas, colocado sobre as dobras da larga túnica raiada, Toni descobriu um livro aberto, aureolado de uma luminosidade difusa, onde o rapaz deslizava o seu indicador de uma linha à outra, decifrando as palavras com uma lentidão aplicada. Parecia saborear um alimento inestimável, saboreá-lo, mastigá-lo e por fim engoli-lo para lhe penetrar no sangue, fundir-se em carne e vivificá-la.
Por momentos, as costas arredondadas endireitavam-se, como se o leitor procurasse descansar os olhos. O pequeno erguia então o seu olhar para o templo e contemplava-o longamente, continuando a soletrar sílabas ou frases acabadas de aprender, para melhor as decorar.
Um profundo recolhimento emanava de toda a sua pessoa.
Toni fixava-o de longe, imóvel. Ouvia os batimentos do seu próprio coração. De repente, aquelas pedras, aquela busca, vindas do fundo dos tempos, conjugavam-se no presente. Num ápice, toda aquela História, toda aquela lenda se personificava no corpo franzino de um adolescente a decifrar caracteres.
Todas as tardes, Saïd escapulia-se da barafunda, dos balidos dos carneiros, dos vagidos das crianças, dos gritos que enchiam a sua agitada cabana. Em redor da lâmpada a petróleo, coabitavam, amontoados no único compartimento, pai, mãe, avós, os nove irmãos e irmãs, o burro e uma cabra. Todas as tardes, retomando a postura do escriba, Saïd colocava-se no centro do fraco círculo luminoso, para se concentrar na leitura: solto, livre, feliz. Finalmente à sua vontade!
Levado por uma sede singular, que os brilhos do dia e a esmola incerta não conseguiam satisfazer, o rapazinho procurava conhecer, descobrir, sem saber onde tudo aquilo iria conduzi-lo.
Ao fim de alguns instantes, Toni começou a caminhar na direcção do lampião. Em bicos de pés, conseguiu aproximar-se pelo estreito tapete de luz, e voltou a parar.
O outro reconheceu-o imediatamente e fez-lhe sinal que se sentasse a seu lado. Toni desembaraçou-se do chapéu, atirando-o para longe, pois dava-lhe um ar pateta e atinado de menino bem-nascido! Ao baixar-se, sentiu-se incomodado pela estreiteza do calção, que lhe deixava a descoberto coxas e joelhos. Sem prestar atenção a isso, Saïd pôs-lhe o braço sobre os ombros:
— Há palavras que eu não compreendo. Podes ajudar-me?
Toni disse que sim, com ar solícito.
Retomando a leitura, paravam ambos numa ou noutra palavra.
Depois voltavam a ler, divertiam-se a ritmar, a entoar frases, dando a cada sílaba inflexão e musicalidade.
Assim passou uma hora de agradável convivência. Subitamente, ao lembrar-se da mãe, Toni imaginou a sua preocupação: a sua agitação febril levá-la-ia a pôr toda a polícia à procura do filho. Explicou a Saïd porque é que tinha de partir sem demora. Ao levantar-se, remexeu no fundo dos bolsos, agarrou num punhado de pequenas moedas e ofereceu-lhas:
— Tu não és um turista, tu és um irmão! Leva isso! — replicou o outro num tom jovial, sem parecer ofendido. — Como te chamas?
— Toni. E tu?
— Saïd.
Então, também ele tirou do bolso um canivete velho e pediu a Toni que gravasse o seu nome no pé de aço negro do lampião— Assim, encontro-te todas as noites.
— Eu vou voltar.
— Estarei aqui neste lugar. Sempre aqui. Sempre. Até à entrada na faculdade… — Esperou, para ver o efeito daquelas palavras. — Vais ver como consigo!
— Acredito. Hás-de conseguir.
Saïd arrancou do caderno cor de malva uma página quadriculada e estendeu-lha:
— Guarda-a. Se, mais tarde, mudares… Se mudarmos, graças a esta folha, vamos reconhecer-nos em qualquer lado!
Ao afastar-se, Toni lembrou-se do chapéu de abas largas e voltou para trás. Apanhou-o e procurou escondê-lo atrás das costas. De repente, Saïd fez-lhe uma surpreendente proposta de troca:
— Tu ficas com o meu barrete e dás-me o teu! — A proposta parecia deslumbrá-lo. Saïd imaginava-se com aquele boné de turista, imaginava a curiosidade da família e do grupo de companheiros da mendicidade. Toni não se fez rogado. Na cabeça de cabelo rapado do seu novo amigo colocou o chapéu de palha que enterrou até às orelhas. Ajustou o barrete azul- pervinca e afastou-se, apressado, em direcção ao Palace Hotel.
Antes de entrar no hall, Toni teve o cuidado de enrolar o pequeno barrete de algodão e guardá-lo no bolso. Não tencionava revelar a Noda aquele seu encontro.
A mãe, mal o viu, correu para ele. Apertou-o nos braços, cobriu-o de beijos, assediou-o de perguntas, numa voz ofegante:
— Onde estiveste? Estava a ficar louca. Dez minutos mais e ia telefonar à polícia.
Respondeu-lhe num tom enfático que ela desconhecia:
— Estive a visitar os deuses!
— Os deuses?
— Até encontrei um escriba!
— Um escriba? Em Karnak, em Luxor? Estás enganado, Toni. Foi no museu do Cairo que viste o Escriba, de olhos de vidro. Lembras-te? Estávamos os dois.
— Não insistas, mamã: digo-te que vi um escriba.
— Bem, bem, seja como quiseres — disse ela, não querendo atiçar a discussão.
Às vezes o filho fazia de propósito para a irritar. De certeza que se perdera entre as ruínas, tinha ficado com medo e agora inventava qualquer coisa para ficar bem-visto.
— Olha! — disse Toni, atingido no seu ponto mais fraco e tentando mostrar que não estava a inventar. — Olha!
Estendeu a folha que Saïd tinha rasgado do seu caderno cor de malva.
— O que é isso?… Gramática!
— Exactamente. Gramática!
— Mas é o que tu mais detestas!
— Agora já não.
— Agora já não? O que é que queres dizer? Explica-te lá!
Toni ia começar a falar mas sentiu-se, de repente, bloqueado no seu entusiasmo. Como interpretaria a mãe as suas palavras? Iria compreender tudo o que ele tinha sentido?
Mecanicamente, a mãe repetia a pergunta.
— Estou a ouvir-te, Toni. Eu não estou enganada, não é? Tu detestavas a gramática!
— Mas agora não — disse-lhe ele, decidido a não falar mais.
Ela ainda procurou fazê-lo ceder. Afagou-lhe a mão, prometeu-lhe pelos anos uma bicicleta com motor. Toni não abriu a boca.
Quando viu o carrinho das sobremesas, no outro lado da sala, Noda chamou o chefe de mesa com voz aguda e um estalido de dedos. Toni estremeceu e sentiu as faces corarem. Noda, que conhecia bem a gulodice do filho, procurava aliciá-lo.
— Chefe, sirva uma dose dupla de mousse de chocolate a este senhor — pediu ela, fixando com complacência o filho, cabisbaixo e calado.
Toni meteu a mão ao bolso, apertou e amassou o barretinho azul-pervinca na palma da mão húmida e, a pouco e pouco, recuperou o sorriso.


Andrée Chedid
L’enfant des manèges et d’autres histoires
Paris, Flammarion, 1998
Tradução e adaptação




Nota explicatória:


Méhémet Alil — Pachá do Egipto de 1805 a 1849. Fundador da dinastia que reinou no Egipto até 1952. É considerado o pai do Egipto moderno.
Hatchepsout — Rainha do Egipto no séc. XV a. C.
Amon — Deus da mitologia egípcia, que personifica o ar e o sopro criador.






*ANDRÉE CHEDID (20 de março de 1920 - 6 de fevereiro de 2011), poeta e romancista Franco-Egípcia.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

PROSA POÉTICA: ENTRE A FLOR E O FRUTO- VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)



Foto: Damien Rice





ENTRE A FLOR E O FRUTO


Dedicado a Damien Rice





VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)



Disseste-me assim,enquanto flor,com esse jeitinho de alecrim,
naquele faceiro dia de maio,
em que o Sol adentrava-se lépido nas faces, energizando a pele. A gente
rolando na grama sorria de tudo,
e tudo
porque enamorados estávamos em deleites, ouvindo essa música suave,
olhos nos olhos,
como sempre se quis e na profundidade da alegria, o encantamento
no murmurar da Cachoeira com suas águas intrépidas
nem tão distante de nós, na Serra do rola-rola.
A brisa correndo feito menina, esparramando olores no campo, fascinada e fascinante,
sucumbia morosa ante a filha do vento; e ela, seduzindo o Tempo com arte, sabedora que a vida,
nem sempre é pássaro que canta
mas pode ser o contido entre a flor e o fruto. A lança da vitória.
E por sorte, o élan, agasalhando de luz os nossos corpos, acariciava o instante, que absorto,colhia o néctar dos frutos.Ficamos tão seivas: humanizados.
E a que sabia de todas as possibilidades,pedia-nos paciência. Apenas,
um pouco mais de paciência
que já o Sonho galopava o caminho da tarde e era parceiro ideal,se do Amor havia enlace no canto. Um beijo ousou nossos lábios, pactuados.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

POESIA: UMA GOTA DE VIDA - VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)



Foto: Vanda Lúcia da Costa Salles (Brasil)autografando o livro: Diversidades e Loucuras em Obras de Arte- um estudo em Arteterapia (2002).




UMA GOTA DE VIDA


VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)



Deito a cabeça em teu colo suavemente
Você sorri e pede que leia histórias do Egito Antigo
O amor estabelece a sintonia
Como pássaros selvagens
elaboramos as asas, sempre
Porque há uma gota de vida em cada instante
E somente quem se sabe Ave compreende o sabor,
mas também a elegância de Ser.
Mãe é o que nos torna equivalente ao toque
De pedra polida, magia e soluções
Somos o que somos na evolução da ternura, quando
no colo, acalentamos o fruto aberto e a seiva.
Ah, o Amor! Quem de nós não se fez
na ação da palavra?


Agora,
em uma gota de vida,
a recordação estabelece o dia: Bom dia, Amor!

sábado, 30 de abril de 2011

POESIA: NO GOTO - VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)



Foto: Penusliski






NO GOTO


VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)



uma gelada
no goto
desce bem
Neném,
nem sabes o que é a definição
da alegria,
juntamente,
com a total liberdade de ser



os carros vão passando,
correndo,
como a estrada quer
Nem ligo
se te ligo
e não queres crer
Mas acredite,
uma flor brotou no limiar do dia


disperdício não é razão
para um querer
e nem conhecimento deixa de ser
se no seu meio
o ambiente não lê
viver é mais que um prazer
E essa cerveja,
em mim,
desceu bem




se não me entendes,
o que queres, enfim?
de mim,
nem um til
só essa flor do deserto

sexta-feira, 29 de abril de 2011

ATENÇÃO: GALIZA CO GALEGO ACTO PÚBLICO A PROL DA EDUCACIÓN EN GALEGO O VERNES 29 DE ABRIL NA CASA GALEGA DA CULTURA EN VIGO (ESPANHA)



Foto: Bandeira da Espanha




Foto: Bandeira de Vigo (Espanha)



Foto: Escudo de Vigo (Espanha)









Foto: Galicia (Espanha)



Galiza co Galego Acto público a prol da educación en galego o venres 29 de abril na Casa Galega da Cultura en Vigo.‏




A Comisión Promotora Galiza co Galego, en colaboración coa plataforma Prolingua, invítao a participar no acto público a prol da educación en galego que terá lugar o venres 29 de abril, en horario de 20:00 a 21:30 horas, na Casa Galega da Cultura situada na Praza da Princesa do Concello de Vigo.

Programa:

Presentación a cargo de dona Iolanda Veloso Ríos, concelleira da Área de Xuventude, Igualdade e Normalización Lingüística do Concello de Vigo.

Relatorios:

“Razóns para educar en Galego”.
Relatorio a cargo de D. Manuel Bragado Rodríguez, licenciado en Ciencias da Educación, mestre de educación infantil e primaria, ex presidente da asociación pedagóxica Nova Escola Galega e director xeral de Edicións Xerais de Galicia.

“Linguas minorizadas europeas en proceso de normalización”.
Relatorio a cargo de D. Xosé-Henrique Costas González, lingüista, director de Normalización Lingüística e vicerreitor de Extensión Universitaria da Universidade de Vigo.

“Construíndo futuro; escolas en galego”.
Relatorio a cargo da Comisión Galiza co Galego, con información sobre o traballo desenvolvido cara a facer efectivo o noso dereito á educación en galego.

Grazas ao apoio das/os nosas/os socias/os e dos preto de 3.000 compromisos acadados do movemento popular de Galiza co Galego, podemos realizar actos divulgativos como este.

Agradeceriamos a súa asistencia a este acto, así como a divulgación deste comunicado.


O presidente.
Francisco X. López (de Limiar)

Mais información en:

http://limiargalego.blogspot.com/
Apoio económico, participación e afiliación en:
http://limiargalego.blogspot.com/p/afiliacion-cgg.html
Contactos: comisiongalizacogalego@gmail.com Telf: 629891145

Situación do lugar do acto: Casa Galega da Cultura
Enderezo: Praza da Princesa, 2, 36202 Vigo
Coordenadas de localización conforme Google Earth:
42º 14' 18.68” N / 8º 43' 32.21” O




*VIGO:

Vigo - está situado em um paraíso natural. Localizado na foz do rio que dá o seu nome e está rodeado por belíssimas praias. É a maior cidade da Galiza, com uma população de aproximadamente 300.000. A oferta da cidade é muito ampla: desportos aquáticos, shows de rock, o mercado de Peter, as Ilhas Ciés ... Em geral, devido à sua localização e tamanho, Vigo é uma cidade muito atraente como destino turístico.

Tem uma longa história. Desde as suas origens celtas e assentamento romano até ao objecto militar para os gostos de Francis Drake, Napoleão e impérios como o turco.

Hoje é uma cidade próspera, fortemente industrial, com actividades tão importantes como a pesca, na zona franca, a indústria automóvel, a pedra e a construção naval.

Como paraíso natural é inevitável visitar as Ilhas Ciés, pertencente ao Parque Nacional das Ilhas Atlânticas, a praia de Samil ou na baía de San Simón. Na cidade pode passear pela cidade velha, visitar o mercado de A Pedra e a Catedral de Santa Maria. O Museu de Arte Contemporânea, Marco, e o Museu do Mar de Galicia. O Monte de O Castro se encontra no centro da cidade e da Porta do Sol, Ponte de Rande, que cruza o rio de um lado para o outro, é um emblema da cidade e oferece uma vista maravilhosa.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

MOMENTO DISCENTE: A VIDA - IGOR BRAGA DESTERRO (BRASIL)



Foto: Aga





A VIDA

IGOR BRAGA DESTERRO (BRASIL)



A vida é bela
que é como ela
Amorosa que só.
Igual a uma mulher
abrindo o caminho para a felicidade.


Perfumosa ou não
Deus estará conosco
Sempre dando a sua opinião


*

segunda-feira, 25 de abril de 2011

POESIA: COM SUA FLOR EM DELÍRIO - VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)



Foto: Matisse (nuazul)







COM SUA FLOR EM DELÍRIO

A Darcília Simões


VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)



De um gesto, aguamos
o que preciso se fez
no tempo,
tão prenhe de jovialidade
Era um momento de abril
em que escancarada,
nas faces,
a liberdade estendia-se
(no azul do céu)
com sua flor em delírio, e nós?
Nós, apenas sorrisos
no disfarce
salpicado de estrelas



Outono adentrava-se,prenhe
de voz,o Adorno sabia-se de cor.
Van Gogh, ai! que paixão insuspeitada.
E na escritura aguçada do ouvido
sanhaço esqueceu-se canto




Ora Drummond rompia o tédio,
ora Clarisse enlouquecia a lucidez.
Ora Vinicius pedia uma água de coco,
(Só para viver um grande amor),
do coco a música rolava,
e eu ensismemada com Kafka
Ora ora,violão
como um inseto incomoda o gosto,
para nunca mais ser o mesmo,
o paladar
e suas memórias

segunda-feira, 18 de abril de 2011

HOMENAGEM: PARA OS SILENCIOSOS - VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)*



Foto: Gaivotas no mar





PARA OS SILENCIOSOS



Na página 22, em que está aquela poesia que trata de como " não gostei do cinza em teu coração", a qual criou, no instante em que a dúvida instalou-se em seu peito, acredite, coloquei uma pétala de orquídea amarela com risquinhos violáceos e com toda a ternura de nossos sonhos transmutei-me no mesmíssimo Amor.
Essa escritora quis o silêncio porque aprendeu a querer o que Ele me deu a partir do sorriso do seu coração: as palavras que causam tanto assombro e é sopro... Às vezes, tão efêmeras... Como as espumas do mar.
Ah, Afonsina! Aqui vai uma belíssima explicação: a fonte de água viva não se oferece a qualquer um.






( In: UNIVERSO SECRETO ( ENTRE O ABISMO E A MONTANHA), Vanda Lúcia da Costa Salles, Brasil, 2011)

quarta-feira, 13 de abril de 2011

MOMENTO DISCENTE: MEU AUTOR EM PESQUISA - QUEILA CÂNDIDO PERAZZO (BRASIL)*



Foto: Machado de Assis (Brasil)



MEU AUTOR EM PESQUISA: MACHADO DE ASSIS (BRASIL)



Meu autor pesquisado é Joaquim Maria Machado de AssiS - Machado de Assis - e o nome do livro é: HISTÓRIAS DO BRUXO DO COSME VELHO. O ilustrador é Eduardo Uchôa, o ano de publicação foi 2003. Trata-se de que o mundo parece ser feito de coisas que a gente vê nele, mas elas estão guardadas no meio das letras e estas letras dentro do livro nos faz enxergar melhor.





* Bruxo do Cosme Velho é um epíteto consagrado a Machado de Assis. O termo ganhou força no meio literário quando Carlos Drummond de Andrade publicou o poema: "A um bruxo, com amor", no qual o poeta fez referência à casa (número 18) da rua Cosme Velho, situada no bairro de mesmo nome, no Rio de Janeiro, onde morou Machado de Assis.


**Joaquim Maria Machado de Assis, cronista, contista, dramaturgo, jornalista, poeta, novelista, romancista, crítico e ensaísta, nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 21 de junho de 1839. Filho de um operário mestiço de negro e português, Francisco José de Assis, e de D. Maria Leopoldina Machado de Assis, aquele que viria a tornar-se o maior escritor do país e um mestre da língua, perde a mãe muito cedo e é criado pela madrasta, Maria Inês, também mulata, que se dedica ao menino e o matricula na escola pública, única que freqüentará o autodidata Machado de Assis.

De saúde frágil, epilético, gago, sabe-se pouco de sua infância e início da juventude. Criado no morro do Livramento, consta que ajudava a missa na igreja da Lampadosa. Com a morte do pai, em 1851, Maria Inês, à época morando em São Cristóvão, emprega-se como doceira num colégio do bairro, e Machadinho, como era chamado, torna-se vendedor de doces. No colégio tem contato com professores e alunos e é até provável que assistisse às aulas nas ocasiões em que não estava trabalhando.

Mesmo sem ter acesso a cursos regulares, empenhou-se em aprender. Consta que, em São Cristóvão, conheceu uma senhora francesa, proprietária de uma padaria, cujo forneiro lhe deu as primeiras lições de Francês. Contava, também, com a proteção da madrinha D. Maria José de Mendonça Barroso, viúva do Brigadeiro e Senador do Império Bento Barroso Pereira, proprietária da Quinta do Livramento, onde foram agregados seus pais.

Aos 16 anos, publica em 12-01-1855 seu primeiro trabalho literário, o poema "Ela", na revista Marmota Fluminense, de Francisco de Paula Brito. A Livraria Paula Brito acolhia novos talentos da época, tendo publicado o citado poema e feito de Machado de Assis seu colaborador efetivo.

Com 17 anos, consegue emprego como aprendiz de tipógrafo na Imprensa Nacional, e começa a escrever durante o tempo livre. Conhece o então diretor do órgão, Manuel Antônio de Almeida, autor de Memórias de um sargento de milícias, que se torna seu protetor.

Em 1858 volta à Livraria Paula Brito, como revisor e colaborador da Marmota, e ali integra-se à sociedade lítero-humorística Petalógica, fundada por Paula Brito. Lá constrói o seu círculo de amigos, do qual faziam parte Joaquim Manoel de Macedo, Manoel Antônio de Almeida, José de Alencar e Gonçalves Dias.

Começa a publicar obras românticas e, em 1859, era revisor e colaborava com o jornal Correio Mercantil. Em 1860, a convite de Quintino Bocaiúva, passa a fazer parte da redação do jornal Diário do Rio de Janeiro. Além desse, escrevia também para a revista O Espelho (como crítico teatral, inicialmente), A Semana Ilustrada(onde, além do nome, usava o pseudônimo de Dr. Semana) e Jornal das Famílias.

Seu primeiro livro foi impresso em 1861, com o título Queda que as mulheres têm para os tolos, onde aparece como tradutor. No ano de 1862 era censor teatral, cargo que não rendia qualquer remuneração, mas o possibilitava a ter acesso livre aos teatros. Nessa época, passa a colaborar em O Futuro, órgão sob a direção do irmão de sua futura esposa, Faustino Xavier de Novais.

Publica seu primeiro livro de poesias em 1864, sob o título de Crisálidas.

Em 1867, é nomeado ajudante do diretor de publicação do Diário Oficial.

Agosto de 1869 marca a data da morte de seu amigo Faustino Xavier de Novais, e, menos de três meses depois, em 12 de novembro de 1869, casa-se com Carolina Augusta Xavier de Novais.

Nessa época, o escritor era um típico homem de letras brasileiro bem sucedido, confortavelmente amparado por um cargo público e por um casamento feliz que durou 35 anos. D. Carolina, mulher culta, apresenta Machado aos clássicos portugueses e a vários autores da língua inglesa.

Sua união foi feliz, mas sem filhos. A morte de sua esposa, em 1904, é uma sentida perda, tendo o marido dedicado à falecida o soneto Carolina, que a celebrizou.

Seu primeiro romance, Ressurreição, foi publicado em 1872. Com a nomeação para o cargo de primeiro oficial da Secretaria de Estado do Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas, estabiliza-se na carreira burocrática que seria o seu principal meio de subsistência durante toda sua vida.

No O Globo de então (1874), jornal de Quintino Bocaiúva, começa a publicar em folhetins o romance A mão e a luva. Escreveu crônicas, contos, poesias e romances para as revistas O Cruzeiro, A Estação e Revista Brasileira.

Sua primeira peça teatral é encenada no Imperial Teatro Dom Pedro II em junho de 1880, escrita especialmente para a comemoração do tricentenário de Camões, em festividades programadas pelo Real Gabinete Português de Leitura.

Na Gazeta de Notícias, no período de 1881 a 1897, publica aquelas que foram consideradas suas melhores crônicas.

Em 1881, com a posse como ministro interino da Agricultura, Comércio Obras Públicas do poeta Pedro Luís Pereira de Sousa, Machado assume o cargo de oficial de gabinete.

Publica, nesse ano, um livro extremamente original , pouco convencional para o estilo da época: Memórias Póstumas de Brás Cubas -- que foi considerado, juntamente com O Mulato, de Aluísio de Azevedo, o marco do realismo na literatura brasileira.

Extraordinário contista, publica Papéis Avulsos em 1882, Histórias sem data (1884), Vária Histórias (1896), Páginas Recolhidas (1889), e Relíquias da casa velha (1906).

Torna-se diretor da Diretoria do Comércio no Ministério em que servia, no ano de 1889.

Grande amigo do escritor paraense José Veríssimo, que dirigia a Revista Brasileira, em sua redação promoviam reuniões os intelectuais que se identificaram com a idéia de Lúcio de Mendonça de criar uma Academia Brasileira de Letras. Machado desde o princípio apoiou a idéia e compareceu às reuniões preparatórias e, no dia 28 de janeiro de 1897, quando se instalou a Academia, foi eleito presidente da instituição, cargo que ocupou até sua morte, ocorrida no Rio de Janeiro em 29 de setembro de 1908. Sua oração fúnebre foi proferida pelo acadêmico Rui Barbosa.

É o fundador da cadeira nº. 23, e escolheu o nome de José de Alencar, seu grande amigo, para ser seu patrono.

Por sua importância, a Academia Brasileira de Letras passou a ser chamada de Casa de Machado de Assis.

Dizem os críticos que Machado era "urbano, aristocrata, cosmopolita, reservado e cínico, ignorou questões sociais como a independência do Brasil e a abolição da escravatura. Passou ao longe do nacionalismo, tendo ambientado suas histórias sempre no Rio, como se não houvesse outro lugar. ... A galeria de tipos e personagens que criou revela o autor como um mestre da observação psicológica. ... Sua obra divide-se em duas fases, uma romântica e outra parnasiano-realista, quando desenvolveu inconfundível estilo desiludido, sarcástico e amargo. O domínio da linguagem é sutil e o estilo é preciso, reticente. O humor pessimista e a complexidade do pensamento, além da desconfiança na razão (no seu sentido cartesiano e iluminista), fazem com que se afaste de seus contemporâneos."

BIBLIOGRAFIA:

Comédia

Desencantos, 1861.
Tu, só tu, puro amor, 1881.

Poesia

Crisálidas, 1864.
Falenas, 1870.
Americanas, 1875.
Poesias completas, 1901.

Romance

Ressurreição, 1872.
A mão e a luva, 1874.
Helena, 1876.
Iaiá Garcia, 1878.
Memórias Póstumas de Brás Cubas, 1881.
Quincas Borba, 1891.
Dom Casmurro, 1899.
Esaú Jacó, 1904.
Memorial de Aires, 1908.

Conto:

Contos Fluminenses,1870.
Histórias da meia-noite, 1873.
Papéis avulsos, 1882.
Histórias sem data, 1884.
Várias histórias, 1896.
Páginas recolhidas, 1899.
Relíquias de casa velha, 1906.

Teatro

Queda que as mulheres têm para os tolos, 1861
Desencantos, 1861
Hoje avental, amanhã luva, 1861.
O caminho da porta, 1862.
O protocolo, 1862.
Quase ministro, 1863.
Os deuses de casaca, 1865.
Tu, só tu, puro amor, 1881.

Algumas obras póstumas

Crítica, 1910.
Teatro coligido, 1910.
Outras relíquias, 1921.
Correspondência, 1932.
A semana, 1914/1937.
Páginas escolhidas, 1921.
Novas relíquias, 1932.
Crônicas, 1937.
Contos Fluminenses - 2º. volume, 1937.
Crítica literária, 1937.
Crítica teatral, 1937.
Histórias românticas, 1937.
Páginas esquecidas, 1939.
Casa velha, 1944.
Diálogos e reflexões de um relojoeiro, 1956.
Crônicas de Lélio, 1958.
Conto de escola, 2002.

Antologias

Obras completas (31 volumes), 1936.
Contos e crônicas, 1958.
Contos esparsos, 1966.
Contos: Uma Antologia (02 volumes), 1998

Em 1975, a Comissão Machado de Assis, instituída pelo Ministério da Educação e Cultura, organizou e publicou as Edições críticas de obras de Machado de Assis, em 15 volumes.



****Eduardo Uchoa:

Formado em publicidade pela UFRGS e influenciado pelas artes gráficas e plásticas, o carioca radicado em Porto Alegre Eduardo Uchôa transcendeu as linhas exatas da arquitetura e os cenários delirantes das histórias em quadrinhos para criar sua arte psicodélica de cores e formas, onde a liberdade de traços e as possibilidades de interpretação de seus desenhos são muitas, assim como as inúmeras ideias que se proliferam na mente do criador antes de serem concebidas de forma concreta.
Profissionalizou-se como ilustrador no departamento de arte do Jornal Zero Hora, mas sempre inquieto por desenvolver novos caminhos, trabalha paralelamente com atividades como pintura, ilustrações para produtos, comerciais (incluindo criação de conceito para desenho animado), revistas e livros infantis, dentre os quais Deuses, Heróis e Monstros, Histórias do Bruxo do Cosme Velho, Poesia Fora da Estante, 30 Fábulas contemporâneas para crianças (Sérgio Capparelli, LP&M) e Poesia para Crianças (Ricadro Silvestrim, Ática).
Reconhecido por seu talento, participou de exposições de arte coletivas e individuais e salões de desenho no Rio Grande do Sul, São Paulo e Chile.
Atualmente está trabalhando em uma série de pinturas inspiradas nas suas viagens pela América Latina e participa do projeto CowParade Porto Alegre 2010, um dos eventos de arte urbana mais importantes do mundo.

***

terça-feira, 12 de abril de 2011

HOMENAGEM: LA APUESTA - RODOLFO VARGAS AIGNASSE (ARGENTINA)*



Foto: Bandeira da Argentina




Foto: Rodolfo Vargas Aignasse



LA APUESTA



Un señor con capacidades diferentes llevó hasta un banco de la plaza sus diarios y revistas para venderlas. Ese era su oficio.
Un muchachote mal educado, engreído y vicioso, sentado en el respaldo del asiento, acompañado con un amigo de mejor calaña, le dijo al canillita:
—No gasto un centavo en vos. Los tuertos son sujetos que se creen más de lo mierda que son.
Sin alterarse Durbal –así se llamaba–, le contestó:
—Soy más que vos nene de papá. Yo trabajo vos sos un vago. Te pasás los días viendo a quien timar, cuando no andás putañeando o peleando. Además yo tengo habilidades que no posees.
—¿Qué habilidades mejor que las mías podés tener?, no hay nada que yo no pueda hacer, si yo tengo de todo.
El tuerto hizo una pausa desafiante, lo miró de arriba abajo mientras ordenaba las palabras.
—Te apuesto cien pesos que yo puedo morderme un ojo.
—Trato hecho, pobre infeliz, demuestra tu fanfarronada.
Entonces Durbal se sacó el ojo de vidrio lo llevó hasta la boca y lo mordió dejándolo unos segundos sostenido con los dientes para que no quede duda de la mordida.
—¡No vale! ¡No vale!, eso lo hacen todos los tuertos... No te pagaré la avivada –dijo el despechado individuo.
—Te juego el doble a que puedo morderme el otro ojo, pero si aceptas la apuesta esta vez hagamos la «parada» y entreguemos el dinero a tu amigo a quien conozco y en quien confío.
Así se hizo, pensando el joven tramposo llevarse con facilidad los doscientos pesos de su adversario.
Con serenidad y adoptando movimientos como en cámara lenta el astuto «canillita» se llevó sus dos manos a la boca y con una suave extracción sacó su dentadura postiza completa, con su mano izquierda procedió a morderse el ojo derecho sano y mientras seguía haciéndolo, con la mano derecha puso los cuatrocientos pesos apostados en su bolsillo.

-Del Libro: «Recuerdos del Fuerte ‘Andalgalá’» (2009)
(Relato)-





EL OJO MÁGICO


Una mañana de frío, al despertarse, Durbal sintió los párpados de su ojo derecho pegados por una conjuntivitis.
Decidido a levantarse pensó si no era mejor dejar el otro ojo en la cama. Así lo hizo y tanteando los peligros de la oscuridad empezó a caminar lentamente.
Ya en el baño despegó con dificultad su ojo enfermo y profirió un alarido de dolor cuando introdujo en él una gota de limón que, como se dice, es lo más indicado para el caso.
El otro ojo amodorrado debajo de las mantas en el calor de su cama, apoyó su vidrio en la almohada tapándose hasta la mitad de la esfera, y contento de su inesperada libertad, siguió durmiendo.



-Del Libro: «Recuerdos del Fuerte ‘Andalgalá’» (2009)
(Cuento)-





EL PEINE


Erase una vez un peine de hombre que empezó a perder sus funciones en la misma medida que su dueño comenzaba a quedarse calvo. Se sentía disgustado, humillado porque otros peines del mismo tocador se burlaban de él.
A la mañana las carcajadas lo satirizaban y a la oración cuando el pelado con traje y perfumado se acicalaba unas veinte pelusas remanentes sobre sus orejas, renacía el jolgorio infamante.
Una noche decidió concluir con sus penurias y se deslizó por el agua de la bacha hasta caer detrás del vanitory donde permaneció por años escuchando divertido los lamentos de los enojados colegas, obligados a cumplir con las mismas tareas causantes


-Del Libro: «El Irresistible Impulso de Escribir» (2010)
(Cuento Corto)-







*RODOLFO VARGAS AIGNASSE
Escritor - Novelista Tucumano / Catamarqueño - País Argentina

Escritor, Docente Universitario, Abogado, Político. Nació en Julumao, Andalgalá, Catamarca.
Preside la Fundación Familia y Educación, Ex Secretario de Estado de Cultura de la Provincia de Tucumán y Diputado Nacional (m/c)
Ganador del 1er Premio “Medalla de Oro y Publicación” en el Certamen a la “Producción Intelectual y Artística”, Catamarca 2006 con la obra: “Luis Franco. ‘El Orejano’”.
Invitado por el Gobierno de Japón promovió en este país el desarrollo del NOA y las relaciones comerciales, culturales y turísticas de la región con el Sudeste Asiático.
Publicó: “Mi Abuelo Tiene Amante: La Esperanza” (2000); “Aguafuertes Tucumanas” (2002); “La Vida Tal Cual” (2003); “La Revolución Inconclusa, Felipe Varela El Quijote de los Andes” (3 ediciones 2005/2006/2007); “Luís Franco. ‘El Orejano’”, (4 Ediciones 2006/2007/2008)); “Los Ausentes no se Han Ido” (Novela de Amor en Tiempos de Plomo), (2008); “Recuerdos del Fuerte. Andalgalá” (Relatos, Microrrelatos y Cuentos), (2009); “El Irresistible Impulso de Escribir” (Relatos, Microrrelatos y Cuentos), (2010)

sexta-feira, 8 de abril de 2011

POESIA: O PORQUÊ- VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)




Foto: Pintura- trabalho coletivo de alunos do fundamental, em técnica arteterapêutica, com a professora Vanda Lúcia da Costa Salles (Brasil)




O PORQUÊ

Aos adeptos da utopia...


VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)


Estamos em luto. Pesado luto.
As palavras escorregam para depois emudecerem
como quiabo tropeçando em sua baba
que nunca agrada a ninguém
A imaginação fértil não se explica
Não se explica também o entrave emocional
e nem essa tragédia
na escola pública brasileira
que já era em si
anunciada,
mas ninguém queria enxergar


Dentro da sala de aula, nas mãos trago
sonhos inacabados,
três pilot regarregáveis descarregados
(sou da língua portuguesa- não sei se isso explica)
nas cores azul vermelho e preto
E vivo esperando o final do mês para que
alguém possa,
com educação na Educação,
recarregá-los,
porque o meu salário no final do mês,
não comporta mais pagá-los.


Vivo cansada do politicamente correto
e desconfio
das malversações das verbas públicas
(principalmente, na Saúde e na Educação),
por isso tenho medo,
enlouquecido medo,
de que já não consiga mais ler
porque
tentei, tento e não consigo
nem registrar direito no INPI,
àquilo que é de meu direito.
Em meu país,
às vezes sinto,
que o cidadão e a criatividade
estão sendo varridos para debaixo do tapete.


Nesse momento,
não consigo conter as lágrimas
e nem quero contê-las.
Sei que sou somente mais uma professora enlouquecida na impotência
que se refugia
no espaço aberto,
da linguagem.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

NOTA DE FALECIMENTO; MARIA AIDA SOTOMAYOR (ARGENTINA)-1917-2011*

Cabe-nos a triste notícia de informar aos amigos poetas e demais pessoas que faleceu LA MAYOR - MARIA AIDA CATALÃ SOTOMAYOR -, a mãezinha da nossa querida poeta e amiga SILVIA AIDA CATALÃ, em SAN NICOLÁS, Argentina.
Ela que foi uma pioneira na luta contra a tuberculose em San Nicolás de Los Arroyos, inspiradora do T.A.A.R. e mãe social ímpar.




Una poesía:



SALÍ A BUSCAR (EN HOMENAJE A SAN NICOLÁS DE LOS ARROYOS)



MARIA AIDA SOTOMAYOR (1917-2011)



Salí a buscar…
Y encontré mi Catedral antigua
Y un jardín, que es Plaza Mitre
Y un “Regatas” con piraguas
Y un río herido de Astul Urquiaga.



Salí a buscar…
Un vals a San Nicolás
Y …oí el canto de los Hermanos Guzmán
Y …al “Canoero” entre islas, camalotes y canoas.



Salí a buscar…
Un San Martín, que nos señala ¡LA LIBERTAD!
Y… un “Rafael de Aguiar
Con su brillante teatro, altivo y sin edad.




Salí a buscar mis amigos,
Y …los encontré con música, poesía…
Y… con amor.




*SOTOMAYOR, Maria Aida: La Rioja – Julio 1917, Argentina .Seudónimo: La_Mayor. Poeta Lírica Investigadora inagotable sobre vida y costumbres tradicionalistas - Ocupación: Visitadora de Higiene - Nurse - Universitaria graduada en la Facultad de Medicina de Rosario, Pcia. De Santa Fe – Docente en la Facultad de Medicina de Rosario –Directora De Cruz Roja Argentina, Filial San Nicolás – Pionera en la lucha contra la tuberculosis en mi ciudad natal, San Nicolás De Los Arroyos – ( madre de la poeta Silvia Aida Catalán).

domingo, 3 de abril de 2011

POESIA: ENTRE O AMARELO DE DOMELA... - VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)*




Foto: Cesar Domela


ENTRE O AMARELO DE DOMELA...

VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)


impetuosa imagem a criar
estas notas mensagens justapostas
na penumbra do dia amanhecido e recriado
como se fosse o toque miraculoso
de uma melodia inaugural.



um ser não se justifica
e nem se explica
mesmo em seu autodidatismo
garante apenas,
a saudosa eloquência em ser


iniludível,
no centro da forma que o orienta,
nem um fragmento, além das mãos
a seta indica ou liga-se ao olho que se vê
entre o amarelo de Domela... Seguro, há um quê.




*VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES: nasceu em Italva, interior do Rio de Janeiro, Brasil, em 25 de abril de 1956. É escritora, poeta, ensaísta, artista plástica, tradutora e conferencista.Graduada em Letras/Português-literaturas, pela UERJ/FFP;Pós-Graduada em Literatura Infanto-Juvenil pela UFF;e em Arteterapia na Saúde e na Educação pela pela UCAM.Catedrática de Literatura do Museu Belgrano(Argentina), ortogada pelo Fundador e Diretor Dr. Ricardo Vitiritti; Diretora Internacional do Taller Artístico Alas Rotas-Alitas de América, nomeada pela Fundadora e Diretora Geral do T.A.A.R., em Argentina Srª Silvia Aida Catalán; Fundadora e Diretora do ENLACE MPME MUSEU PÓS-MODERNO DE EDUCAÇÃO. Publicou: No tempo distraído (narrativas, Ágora da Ilha,2001),Diversidades e Loucuras em Obras de Arte- um estudo em Arteterapia (ensaio, Ágora da Ilha, 2001),A palavra do menino e as abobrinhas ( infanto-juvenil), HP.Editora,2005), O chamado das musas.Pô-Ética Humana: o enigma do recheio- a arteterapia ao sabor da educação brasileira(pesquisa poética em arte e educação, Creadores Argentinos, 2008; Núncia Poética (poesias, Cbje,2010). Participa também das seguintes antologias: Os melhores poetas brasileiros Hoje/1985(Shogum Editora, 1985), III Encuentro Nacional de Narradores y Poetas - Unidos por las Letras!-2009-Bialet Massé (Córdoba, Argentina,2009), Poesia em Trânsito-Brasil/Argentina (La Luna Que, Buenos Aires, 2009, e 1º Antología Literaria Nacional e Internacional 2010 " Ser Voz en el Silencio, S.A.L.A.C. va.Carlos Paz, Córdoba-Argentina (Galia's, Editora Independiente,2010.

domingo, 27 de março de 2011

POESIA: COMO DIZIA LORCA - VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)*



Foto: Escultura de Jean Pierre Augier


COMO DIZIA LORCA

À Adriana, de Campos do Jordão


VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)



Cem livros é pouco para quem acostumado, voraz
aprimora o saber
Se quiser: creia
Não se faz Educação
escravizando o trabalho do outro



A lida e os sonhos nos ensinam
o que a vida tem de melhor
Menor não somos
A competência nos guia



e pelas mãos da poesia
seguimos afins
Até já assentamos lugar
onde se realizam os sonhos
Na sabedoria de ser fonte e cachoeira...



Se meio pão e meio livro
é imagem da beleza,
Entende-se que um homem e uma mulher
jamais fraquejam
se tem a estrela na palma da mão




*VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES: nasceu em Italva, interior do Rio de Janeiro, Brasil, em 25 de abril de 1956. É escritora, poeta, ensaísta, artista plástica, tradutora e conferencista.Graduada em Letras/Português-literaturas, pela UERJ/FFP;Pós-Graduada em Literatura Infanto-Juvenil pela UFF;e em Arteterapia na Saúde e na Educação pela pela UCAM.Catedrática de Literatura do Museu Belgrano(Argentina), ortogada pelo Fundador e Diretor Dr. Ricardo Vitiritti; Diretora Internacional do Taller Artístico Alas Rotas-Alitas de América, nomeada pela Fundadora e Diretora Geral do T.A.A.R., em Argentina Srª Silvia Aida Catalán; Fundadora e Diretora do ENLACE MPME MUSEU PÓS-MODERNO DE EDUCAÇÃO. Publicou: No tempo distraído (narrativas, Ágora da Ilha,2001),Diversidades e Loucuras em Obras de Arte- um estudo em Arteterapia (ensaio, Ágora da Ilha, 2001),A palavra do menino e as abobrinhas ( infanto-juvenil), HP.Editora,2005), O chamado das musas.Pô-Ética Humana: o enigma do recheio- a arteterapia ao sabor da educação brasileira(pesquisa poética em arte e educação, Creadores Argentinos, 2008; Núncia Poética (poesias, Cbje,2010). Participa também das seguintes antologias: Os melhores poetas brasileiros Hoje/1985(Shogum Editora, 1985), III Encuentro Nacional de Narradores y Poetas - Unidos por las Letras!-2009-Bialet Massé (Córdoba, Argentina,2009), Poesia em Trânsito-Brasil/Argentina (La Luna Que, Buenos Aires, 2009, e 1º Antología Literaria Nacional e Internacional 2010 " Ser Voz en el Silencio, S.A.L.A.C. va.Carlos Paz, Córdoba-Argentina (Galia's, Editora Independiente,2010.