terça-feira, 28 de dezembro de 2010

HOMENAGEM: ANTÓNIO RAMOS ROSA (PORTUGAL)



Foto: Bandeira de Portugal



Foto: O poeta António Ramos Rosa (Portugal)



AOS 87 ANOS DE VIDA DO POETA PORTUGUÊS





ESTOU VIVO E ESCREVO SOL


ANTÓNIO RAMOS ROSA (PORTUGAL)


Eu escrevo versos ao meio-dia
e a morte ao sol é uma cabeleira
que passa em fios frescos sobre a minha cara de vivo
Estou vivo e escrevo sol
Se as minhas lágrimas e os meus dentes cantam
no vazio fresco
é porque aboli todas as mentiras
e não sou mais que este momento puro
a coincidência perfeita
no acto de escrever e sol
A vertigem única da verdade em riste
a nulidade de todas as próximas paragens
navego para o cimo
tombo na claridade simples
e os objectos atiram suas faces
e na minha língua o sol trepida
Melhor que beber vinho é mais claro
ser no olhar o próprio olhar
a maravilha é este espaço aberto
a rua
um grito
a grande toalha do silêncio verde

(de Estou Vivo E Escrevo Sol(1966)





CADA ÁRVORE É UM SER PARA SER EM NÓS



ANTÓNIO RAMOS ROSA (PORTUGAL)

Cada árvore é um ser para ser em nós

Para ver uma árvore não basta vê-a

a árvore é uma lenta reverência

uma presença reminiscente

uma habitação perdida

e encontrada

À sombra de uma árvore

o tempo já não é o tempo

mas a magia de um instante que começa sem fim

a árvore apazigua-nos com a sua atmosfera de folhas

e de sombras interiores

nós habitamos a árvore com a nossa respiração

com a da árvore

com a árvore nós partilhamos o mundo com os deuses









QUE COR Ó TELHADOS DE MISÉRIA


ANTÓNIO RAMOS ROSA (PORTUGAL)


Que cor ó telhados de miséria
onde nasci
de tanta pequenez de tão humildes ovos
de nenhum querer
a que horas nasceram as estrelas que
um dia foram
a que horas nasci?

Não vim embarcado não me encontrei
na rua
não nos vimos
não nos beijamos
nunca parti


Não sei que idade tenho


Quando havia antes um antigamente
havia uma esperança
agora no próprio coração da ilusão
onde a água limpa as pedras das ruínas
entre destroços límpidos
deito-me sobre a minha sombra e durmo
e durmo


Quando havia antes um amanhecer
à beira do abismo
agora no próprio coração do coração
durmo estrangulando um monstro inerme
um palhaço de palha seca e pálido
quando havia antes um caminho


Não houve nunca amigos nem, pureza
Nem carinhos de mãe salvam a noite
É preciso ir mais longe na incerteza
É preciso no silêncio não escutar


A manhã que eu procuro não foi sonhada
Uma árvore me ignora na raiz
Perfeitamente desesperado é o meu sonho
Os pássaros insultam-me na cama
Só com doidos com doidos amaria
perfeitamente presente na frescura
do mar


Uma casa para eu ter a humildade de ser espaço
a líquida frescura duma jarra
um passo leve e certo em cada sombra
um ninho em cada ouvido
de doces abelhas cegas


Uma casa uma caixa de música e sossego
Um violão adormecido na doçura
Um mar longínquo à volta atrás do campo
Uma inundação de verdura e espessa paz
Uma repetida e vasta constelação de grilos
e os galos álacres do silêncio


Um mar de espuma e alegria obscura
um mar de espuma e alegria clara
entre o verde e a brisa


Na brancura dos quartos
a inocência poderá sonhar desnuda
os insetos poderão entrar
juntamente com as plantas e as aves
Uma longa asa passará
O mundo e o silêncio a mesma ave
e o mar
o mudo leão longínquo e fresco
faiscará entre o ver e as lâminas solares


fonte: jornal da poesia


*ANTÓNIO RAMOS ROSA:nasceu em Faro, a 17 de Outubro de 1924. Destacado poeta e crítico português. Foi militante do MUD (Movimento de União Democrática) e conheceu a prisão política. Trabalhou como tradutor e professor, tendo sido um dos directores de revistas literárias como Árvore e Cassiopeia. O seu primeiro livro de poesia, O Grito Claro, foi publicado em 1958. A sua obra poética ultrapassa os cinquenta títulos. É ainda autor de ensaios, entre os quais se salienta A Poesia Moderna e a Interrogação do Real (1979-1980). Em 1988 foi distinguido com o Prêmio Pessoa.

domingo, 26 de dezembro de 2010

NOTA DE FALECIMENTO: JORGE ABEL DARDICK (ARGENTINA)*





Foto: JORGE ABEL DARDICK (ARGENTINA)






O ENLACE-MPME:MUSEU PÓS-MODERNO DE EDUCAÇÃO(BRASIL) e o T.A.A.R. (ARGENTINA)informam a todos os amigos do falecimento do Srº JORGE ABEL DARDICK, em 25/12/2010, às 18:35, em Buenos Aires, Argentina.
A Srª SILVIA AIDA CATALÁN e a família Dardick agradecem as notas de condolescência e de solidariedade.

Que as nossas orações alcancem a misericórdia do Senhor no Altíssimo e elevem a alma desse amigo e companheiro de tantas jornadas e lutas em prol da Interculturalidade dos povos.
E saibam todos que somos mais que vencedores... Somos àqueles que sonham com a possibilidade... E seguem... No Amor e na Paz!

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

DENÚNCIA: VIOLAÇÃO DE DIREITOS AUTORAIS E INVERDADES

ALERTA!!!! CIBEPIRATARIA!!!!!





O ENLACE-MPME:MUSEU PÓS-MODERNO DE EDUCAÇÃO, o T.A.A.R. e VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES alertam e denunciam a violação de seus direitos autorais e inverdades comerciais, que não vendem e nem autorizaram ninguém a vender suas obras e nem obras de discentes em aulas de Língua Portuguesa, em cds e em formato wav-audio e mp3 conforme anunciado no google pelos abaixos denominados:


AO LONGE OS BARCOS DE FLORES POESIA PORTUGUESA DO SECULO XX-INC
VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES-T.A.A.R -"ALAS ROTAS-ALITAS DE ... Em aula de Língua Portuguesa e Artes por Vanda Salles) ..... Las obras están totalmente ...
www.dewebmasters.com/.../ao-longe-os-barcos-de-flores-poesia-portuguesa-do-seculo-xx-inc-luye-2-cds/ - http://www.dewebmasters.com/64056/ao-longe-os-barcos-de-flores-poesia-portuguesa-do-seculo-xx-inc-luye-2-cds/
PROF. VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES-T.A.A.R -"ALAS ROTAS-ALITAS DE ...
Em aula de Língua Portuguesa e Artes por Vanda Salles) ..... Las obras están totalmente digitalizadas en Cd's con formato wav-audio y mp3 y están ... 4-El encuentro contará con una mesa de venta de libros 2 horas cada día. ... No incluye bebidas alcohólicas.) Apertura: 14:30 hs. Show de poesía: "Lecturas sobre el ...

Afirmamos: somente o ENLACE-MPME:MUSEU PÓS-MODERNO DE EDUCAÇÃO possui autorização para venda de produtos de minha autoria e que levem o meu nome.

Em tempo oportuno, tomaremos medidas cabíveis.



Rio de Janeiro, 24 de dezembro de 2010


Vanda Lúcia da Costa Salles
Fundadora e Diretora Geral do ENLACE-MPME:MUSEU PÓS MODERNO DE EDUCAÇÃO
Com Reg. no INPI (BRASIL)

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

HOMENAGEM: NEM SEMPRE AS PALAVRAS CHEGAM - MARIA AZENHA (PORTUGAL)*



Foto: A poeta Maria Azenha (Portugal)




NEM SEMPRE AS PALAVRAS CHEGAM



Maria Azenha (Portugal)


encosto o ouvido
às páginas do livro que nunca escreveste
e sei que és um búzio
ao
anoitecer


mando-te mil recados pelas lâminas do vento
da tua boca brota uma fonte
digo amo-te e às vezes a memória
é onde os pássaros não voam


nem sempre as palavras chegam
para levar as estrelas aos teus olhos

nem eu sei dizer o teu nome






ÁS VEZES DIGO: NÃO SEI PORQUÊ ESCREVO


Maria Azenha (PORTUGAL)



às vezes eu vejo a luz
às vezes na minha alma apodrecida fermenta uma sílaba
e sei que estou por detrás do claustro do corpo
às vezes os meus dedos exibem intermináveis pancadas
deixando pegadas de sangeu numa página virgem,
o vento empurra-as sem cessar para a neve das mãos.
às vezes habito entre os gritos caídos na terra
e é um ninho de víboras que escreve no chão


às vezes digo: não sei porquê escrevo
debaixo do silêncio nasce uma fonte
e o teu pai e a tua mãe para que o poema morra


afirmo-te como uma crianças;
não há outra coroa de espinhos


Aos loucos chega de uma só vez o crucifico da memória.

*Maria da Conceição da Silva Rodrigues Azenha : nasceu em Coimbra em 29 de Dezembro de 1945. Licenciou-se em Ciências Matemáticas pela Universidade de Coimbra,Évora e Lisboa, em Escolas Secundárias e de Ensino Artístico.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

POESIA: DOURADA COTOVIA - VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL) -




Foto: Hallstatt (Austria)



DOURADA COTOVIA







VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)






1

Estalou no broto do galho
como melodia fina
em forma de cantiga
para Neide
(Rosa dos Ventos-Bahia)
a voz/sinal
de uma dourada cotovia



2



No ar,
lançou a quem sonha a Paz,
Ave-Oração!




3



Que dos nossos lábios ela se estenda... Ilumine o fruto e a boca ávida,
dos necessitados aos arrogantes,
dos apascentados aos ignorantes, e nos
destrave a língua para uma só canção,
onde a vida prenhe seja alegria
e a criança linda que habita em nós
acredite sempre na possibilidade de sua voz,
de sua mão aberta... Aberta seja,
em forma de Amor!





E do centro da forma se ofereça pronta
como a erudita porta, a qual se destravou
quando o Deus menino em suave canto
esse poema nos ofertou
Anunciando a fonte viva
Da Esperança... Estrela guia, beleza em flor
Nessas manhãs inscritas na clave do Sol!

domingo, 19 de dezembro de 2010

FELIZ ANIVERSÁRIO: SILVIA AIDA CATALÁN (ARGENTINA)!







BORBOLETINHAS



VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES(BRASIL)




Enclina seu ouvido
para que as minhas palavras
do centro amalgamado da seiva, e
em formas de borboletinhas derretam
de tal forma, e
com candura do gesto
o agreste
do desalmado traidor
que com seu hálito fétido
insinua arrancar o poético
do que se tem em vida.


Mas,
atrevida minh'alma nega
adormecer sem este ornar de gosto,
e lhe convida na plenitude deste 19/12/2010,
Ouvir o riso escancarado das borboletinhas...E o canto alegre deste Serafim!

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

HOMENAGEM : DECÁLOGO DO EDUCADOR ´DO SÉCULO XXI - VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)



Foto: UNIVERSO, óleo e acrílica de Vanda Lúcia da Costa Salles








DECÁLOGO DO EDUCADOR DO SÉCULO XXI





Ao Educador Anísio Teixeira (Brasil) e a todos os educadores no planeta







VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)



1º

é necessário imbuir-se de Amor e acreditar ser capaz, porque competência é gerenciar o salário aviltante que denigre a nossa imagem... E corroi os nossos bolsos e vida.



2º

é preciso sempre abrir o grande livro da Esperança, gerar um sorriso, amarrar os cadarços do tênis e seguir em frente... Como um adolescente segue a sua canção.





3º


é certo também que, às vezes, as ondas nem sempre morrerão nas praias... Mas, os rochedos e penhascos estarão ali adornando as águas. Sejamos fontes!

4º


é primordial que tenhamos dúvidas, poucas certezas. Entretanto, ao tê-las, convenhamos: melhor uma partida de xadrez?

5º

é encantador bailar com os ventos... E saltitar calçadas e esquinas,porém
precavenha-se dos gafanhotos aturdidos.

6º


é quase certo que a criatividade nos eleva, todavia um passo de cada vez também exalta. E os nossos pés são tão querubins!


7º

é facilitador um prêmio como o "melhor" educador... Francamente, não há prêmio maior do que o sorriso de alguém que aprendeu com os seus próprios olhos a enxergar o sorriso em nossos olhos.

8º

é confortante saber que o saber não é privilégio nenhum... Portanto, lutar por esse saber é mais do que acariciar estrelas. Ufa! Nascemos cometas.


9º


é absolutamente relevante ser autônomo de pensar... Livre como as gaivotas e as madressilvas... E desobediente como uma mulher que sabe onde está o seu nariz...
Ah, é tão lânguido o desabrochar-se em pétalas!


10º

é magnificamente poético conceber a sorte de ser um EDUCADOR em pleno século XXI e ser utópico, inconvenientemente utópico... Como as borboletas de fins de tardes, pousando leve, em folhas úmidas e relvas macias ou mesmo, no podre do galho de uma árvore inútil (para alguns)... Mas também saber, que é infinitamente destino ser apenas, um pequenino ser que aprendeu a compartilhar o sonho... E que este sonho ninguém conseguirá roubá-lo de nós.