quinta-feira, 22 de setembro de 2016

EM SÃO GONÇALO-RIO DE JANEIRO-BRASIL: RECITAL MULTIDISCIPLINÁRIO CONTRA A GUERRA E PELA PAZ, SUSTENTABILIDADE E TRANSFORMAÇÃO SOCIAL NO MUNDO










LOGOMARCA ELABORADA PELA POETA E ARTISTA PLÁSTICA VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES- FUNDADORA DA A.E.A.C.-ACADEMIA ESTUDANTIL DE ARTES CONTEMPORÂNEA
A SER OFICIALIZADA NO DIA 23/09/2016, NO CIEP BRIZOLÃO 121-PROF. JOADÉLIO CODEÇO-MARAMBAIA-SG-BRASIL






sábado, 10 de setembro de 2016

ALL EM COMEMORAÇÃO DO ANIVERSÁRIO DE FUNDAÇÃO DE SÃO LUÍS-MA E PRESENTE NO MOVIMENTO INTERNACIONAL 100 MIL POETAS POR TRANSFORMAÇÃO DO PENSAR E AGIR NO MUNDO-DELEGAÇÃO DO LICEO POÉTICO DE BENIDORM NO MARANHÃO-BRASIL




A PRESIDENTE DA ACADEMIA LUDOVICENSE DE LETRAS, DILERCY ARAGÃO ADLER E OS CONFRADES: ALDY, MACATRÃO, NOBERTO, LEOPOLDO VAZ, 








ANIVERSÁRIO DE 404 ANOS DE FUNDAÇÃO DA CIDADE DE SÃO LUÍS

- 08 de setembro de 2016 –

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

MULHER: POESIA DE VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES




MULHER

no recôndito do instante
inaugures a delícia de ser
o inequívoco poema

de ti



quarta-feira, 27 de julho de 2016

CRÔNICA: DENTRO DE NÓS - VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES




DENTRO DE NÓS



                                  Vanda Lúcia da Costa Salles




      Em momentos que a mente acaricia, sei que vives, com esse ar de Dama antiga e dissimulada porque sabes que a saudade brota gerânios, tulipas e hortelãs. Como  grapete, nomeada era e os netos vinham saber dos causos e namoricos de adolescentes. E ficávamos sorrisos largos, a retirar os cabinhos das pimentas malaguetas ou a formar, peça a peça, a beleza de um fuxico.
      De certo que a dúvida nunca adentrava o afã do peito amante, dançando um samba ou um cateretê. Então, dizias, em tardes de veranico, " a maresia entorna o caldo do pirão de carapeba, moreno, prepara a lenha que o fogo já nos convida". E toda faceira, alisava os lençóis.
      Um, dois, três, quatro, cinco, seis filhos seus e mais três de quebra no angu do tacho, criados com tapioca, violão e rede. " Neném que o diga, Josias nada sabe do clarão da Lua quando a noite brilhava encanto. Vanda, tão bom seria se tivéssemos um tapete voador, não?" Imaginar nem era preciso, sabíamos que do sonho era a vantagem do guia. Seguíamos pegadas.
       Pintora fosse, falou um dia, chuva caindo fininha como agulha perdida na cegueira do olhar, " eu pintava a flor, delicada flor, e enfeitava a casa de Seu João Aleijadinho. O pobre, mal consegue respirar, mas também uma solidão tão torta, que nem cal as paredes aceitam. Coitado, diz caminhar nas horas." Ouvido atento, dentro de nós, a admiração se expandia como pé de samambaia ou cortadeira chorona. Ah!  Senhora de toda a nossa vida e matriz de mim, como sufocar a ausência que deixaste nessa casa com portão verde floresta e uma biblioteca comunitária num desejo todo próprio do projeto firmar?
       Num cavalinho branco que penso ser o unicórnio azul de teus sonhos de menina ( o qual, contastes oras a fio, enovelando as nossas cabeças fantasiadas de colombinas, em uma noite de Carnaval  passado em Balneário de São Pedro D'Aldeia), partistes, como quem parte desejando boa-noite e no dia seguinte viesse convidativa para um banho de mar, nas Dunas ou no Farol.
       Às vezes, ao ler sobre o Egito Antigo ou  O Alienista, de Machado de Assis, creio vê-la ao meu lado, tão dentro de nós, em sorriso de coqueteria, " ainda serás, uma grande, mais grande professora e eu, apenas  a mãe".
       Chamava-se Maria Amaral Ferreira, neta do Capitão Costa, filha de Olívia da Costa Amaral, e amava poesia.

sábado, 28 de maio de 2016

INTERCÂMBIO CULTURAL ENTRE A PARAÍBA, BRASIL E OUTROS PAÍSES- VANDA SALLES RECEBE CERTIFICADO









A escritora Vanda Lúcia da Costa Salles é agraciada com o Certificado de Intercâmbio Cultura entre a Paraíba, Brasil e outros Países:





Os nossos mais sinceros agradecimentos!!!

sábado, 12 de março de 2016

UM LOBISOMEM EM ITALVA-VANDA LUCIA DA COSTA SALLES








UM LOBISOMEM  EM ITALVA

                                                            
       Contava papai que  um homem, em Italva, vai a Cachoeira do Caboclo, encontra um bau de moedas de ouro espanhol, volta para a sua cabana, três meses depois é encontrado morto . “Como?”  “O que acontecera?”  Senhores, senhoras, vos conto:  Tchecov ( aquele escritor russo com mania de fluxo da consciência e que tinha a literatura como sua  amante) diz que  uma história visível esconde uma história secreta, portanto saibam que esta também possui e é uma história secreta. Aliás, secretíssima, segundo os italvenses e papai.
         No bulício da manhã, na rua Cel. Luis Salles, Targino- o turco-,  caminhava em direção a Câmara Municipal da cidade para assumir o seu posto de vigilante,  quando ouviu às suas costas o ploc-ploc inusitado de  saltos altos vermelhos daquela esplendorosa  loura em seu corpo violino sob um vestido azul transparente e enlouquecedor. Tropeçou. Engasgou. Cuspiu, sem querer. Sorriu timidamente como se fora um adolescente, segurou um pum e quis fugir, não necessariamente nessa ordem. E não sabia o porquê cargas d’água, sua mente fincou pensar no morador das imediações da Cachoeira do Caboclo que todos na cidade, principalmente os mais velhos, diziam ser um LOBISOMEM. 
        A loura em seu vestido azul transparente passou por ele chiquérrima e educadamente disse:
        - Bom dia!!!
        Tolamente, ouviu sua voz respondê-la:
        - Vai com Deus! -. E desconcertado teve tempo de vê-la virar o pescoço e olhá-lo firme e sagaz, com maravilhosos olhos verdes, e por tudo que é mais sagrado no ser, jurava que em cada pupila havia um traço marrom vertical, igualzinho aos gatos moriscos. “Quem seria a gata?” “Seria parente do tal morto, o das tais desaparecida moedas de ouro que tanta gente do munícipe ansiava encontrar?” “Não parecia perigosa, sim desejável.”  E na insanidade célere do pensamento e transformação retardada da palavra, ouviu-se dizer ainda: “Bom dia!” A loura seguiu o seu caminho e virou a esquina.
        A rua aquela manhã parecia como as de sempre, os transeuntes passavam e alguns adolescentes em algazarras, em direção ao Coleginho. Algumas lojas abertas, outras a abrir, escancarando os seus mostruários. Jorge, o carpinteiro e amolador de ferramentas e facas e alicates passou pedalando fortemente a sua velha bicicleta em direção a Rua Portela Salles, com o intuito de ganhar a Ponte em um só lance de pedalada. Ele vivia apostando consigo mesmo vencer os minutos empregados. Quando sorria, ganhava. Ainda teve tempo de lhe dizer e ouvir em resposta:
      - Às cinco e meia, no bar do Zozó!  Urgência de fala, vai  longe pocar ?
      - Prego, tô indo lá pras bandas da Cachoeira, na casa do Seu Militão amolar as ferramentas e arados. Vai pocá outro! 
       Sorrindo de gosto, Targino apressou os passos e adentrou afoito na Câmara Municipal. Bateu o ponto e calmamente fixou-se em seu posto. Quase as  cinco em ponto, Haroldo- o secretário do Edil Marcelinho-,  lhe entregou tudo tim-tim por tim-tim.
      Chamava-se Iona Antonescu e vivia próxima a “Caverna com ossos”, na antiga ruína da roda do Caboclo. Diziam possuir licantropia ( do grego “lycos”, significando “lobo”; e “anthropos”, significando “homem”), e segundo o nosso psiquiatra de plantão “ a crença de que era uma fêmea lobisomem”. O que ela deseja é poder, o poder local. Há quem diga que possui desejos sexuais reprimidos. E que na primeira lua cheia, zup!, transforma-se em uma Lobisomem.  Entretanto, para mim,  ela é  a vampiresca de Manaus. Veja! -. Dissera Haroldo: “essa mulher é altíssima, tem mais de 1.97 cm, claríssima, de uma brancura singular, olhos felinos ( você viu, não viu?). Avermelhadas pupilas ( note bem!), cabelos louros dourados, dentes arreganhados, limados e afiados. O seu jeito de caminhar mais parece um animal buscando uma presa.
       - É, mas o que ela veio mesmo é descobrir quem matou o seu irmão. O tal morto das moedas de ouro espanhol era irmão da tal. – Entrou na conversa, contando o que faltava, o Miguelzinho, do Tino, com sua enorme cabeleira empastelada de gloss.
       - E você, espião duma figa, o que faz aqui assuntando o papo, heim? – Indagou-me o Quinzinho, do Tavo.
       - Sei não, gente, essa história ainda dará caldo!- Disse, afastando-me de tudo e de todos.
       Papai dissera ser tudo besteira. Que o tal lobisomem havia porque, certa vez,  espancara de tal forma sua velha mãe, que esta o amaldiçoara, rogando-lhe uma praga, que na primeira lua cheia se transformaria em um bicho peludo. Dito e feito. Na primeira lua cheia, aparecera em Italva, esse primeiro e único lobisomem, isso nos idos de 1910, e, atacava os galinheiros estraçalhando o pescoço das galinhas, assustando o gado no pasto, encurralando e chimbicando as mulheres todas, até que a dona Mariquinha- a viúva-, com sua carabina de balas de prata escarfundou o peito do talzinho lobisomem italvense com um balaço só. Daquele dia em diante, nada de lobisomem na cidade. Somente no imaginário dos velhos e das crianças, disse-me ele, enquanto o via contando inúmeras moedas de ouro, limpá-las uma a uma com um flanela para depois coloca-las em um velho bau de madeira com um indescritível brasão espanhol.   Por via das dúvidas, indaguei a ele e  sai de fininho:

         -  Pai, aquela bala de prata na cumieira que o senhor retirou do peito, como foi mesmo que se sucedeu?