terça-feira, 8 de janeiro de 2019

POEMA A JUDITH TEIXEIRA- VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES



      POEMA À JUDITH TEIXEIRA- O ROUXINOL DE VISEU


                   
"Eu sou — responde o singular tormento —
Eu sou a fria dor do Entendimento,
à luz fria da Verdade, a iluminar—te!"

        Judith Teixeira,  In. Quem És?


I

Ó Senhora de Mim,que vives assim de
poema em poema 
a pintar a vida, àvida de
desejos e volúpia, consciente da
luta,d
esta que nos faz adeptas do
delicioso relicário à luz fina da verdade:
ser mulher e construir-se 
cotidianamente, e não é fácil.bem sabes:
Frágil é o dia.
Efêmero o instante e

                  poético,
esse pôr de sol que incendeia a pele!...   Ó mar, dá-me o entendimento,
o saber que o meu querer
no círculo das Musas a bailar no jardim... Ó Rouxinol de Viseu, poeta és, e
a sua fina mão de mulher a guardar o sonho,
a natureza,
a obra- prima e a rima, Ó Musa do desejo e da volúpia!
Escrito nas estrelas de Aldebarã,
todo afã, o segredo
do seu labirinto
arrimo de judia-"Tocha"-, tão Lena de Valois!


II

Mulher é feita para o livre pensar,
nutrir o fruto,
embelezar o caminho... de leve, adocicar as agruras ancestrais...
 mas também lançar o barquinho de papel ao mar!  Ah, poema flor! 
meu amor apeteceu a lira,
o pó,
a dor,
a canção,
sob o luar de Viseu a imaginação é minha.



III

Minha também são as palavras, nuas
na rua,
no cais,
nas janelas,
nas algemas do esquecimento,
no remo,
no leme,
íngreme dos rochedos 
no silêncio da língua,
o rio,
a água...
a escorrer do centro da forma...
 o néctar e
ao desejo de quero mais: insanciada sou,
como a fria estátua de Bizâncio
a iluminar-te!

2019
Vanda Lúcia da Costa Salles
      RJ, 8/01/2019
      Pôr do Sol

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

POESIA DE VANDA SALLES: MACHADO DE ASSIS






NO LIVRO

M achado de Assis é flor
no infinito riscar da palavra resistência
lema da língua
Nossa!
Ah, se a prosa que o enlaça
ficasse em mim
um pouco mais tão rima fina
um acalanto 
para o meu amor


Leio
em teus lábios
o que me
desatina a língua
E o
canto
que encanta-me
vida e alma

quarta-feira, 13 de junho de 2018

MARINÁ DO BRASIL- VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES



                                Foto: Mariná de Moraes Sarmento-Mariná do Brasil - poeta brasileira


Mariná Valentim de Moraes Sarmento nasceu em Santa Maria Madalena, Estado do Rio de Janeiro, a 15 de novembro de 1909, filha de Antônio Francisco Valentim e Rita de Cássia Rodrigues Valentim, segunda filha do casal, também pais de Maria Rita. Quando menina mudou-se com os pais para Macaé, onde completou seus estudos primários. A família, em seguida, radicou-se no Rio de Janeiro, onde Mariná completou os estudos secundários e superiores. Casou com o engenheiro Luiz Brandão de Moraes Sarmento, titular da nobreza portuguesa, Conde Moncorvo e Alorna. Mariná, inteligente, de rara energia e talento, iniciou-se em Literatura, que foi sua grande paixão na vida. Seu marido proporcionou-lhe viagens aos cinco continentes, onde Mariná aprimorou sua cosmopolita cultura. Escreveu poesia e relatos de viagens, publicando mais de 30 livros, o primeiro “Ânfora” que a lançou poeta de valor e admirada. De larga visão e atividade incansável tornou-se uma embaixatriz diletante do Brasil no Exterior, participando de muitas academias de Letras e Artes do Brasil e do Exterior. Apaixonada por Petrópolis, aqui conviveu com Gabriel Mistral, poeta chilena e Prêmio Nobel de Literatura, que residiu por muitos anos na Cidade Imperial, fundando Mariná a “Sala de Letras e Artes Gabriela Mistral” destinada a cultuar a memória da grande escritora e, ao mesmo tempo, estabelecer intercâmbio cultural com nações de Cultura Latino-Americana. Portadora de inúmeras condecorações e expressivas homenagens, ingressou na Academia Petropolitana de Letras, cadeira nº 16, patrono Silvio Romero, tomando posse a 19 de setembro de 1959, tornando-se assídua freqüentadora do sodalício e sua maior divulgadora. Falecendo o marido, continuou sua atividade com vigor e dedicação, até se ver obrigada a recolher-se à Ordem do Carmo, no Rio de Janeiro, como hóspede-pensionista, à falta de parentes e familiares. Mesmo idosa, na casa dos 90 anos de idade, continuava a escrever e publicar trabalhos e marcar assiduidade em nossa Academia e na Academia Petropolitana de Poesia Raul de Leoni, da qual era acadêmica titular e em outras entidades congêneres do Rio de Janeiro. Declamava poemas com desenvoltura e muito talento. No final do ano de 2002 regressou a Santa Maria Madalena para viver seus últimos dias. Lá adquirira uma sepultura sob desejo manifesto de repousar definitivamente na terra natal. Deixou-nos a 23 de janeiro de 2003, aos 94 anos de idade completos. Deixou valiosa produção literária e uma saudade imensa no coração de seus admiradores aquela que foi conhecida internacionalmente como
“Mariná do Brasil”.


segunda-feira, 30 de abril de 2018

MARINÁ DO BRASIL - POESIA

                               Foto: Mariná do Brasil



                                              MARINÁ DO BRASIL


                                                                   Por: Vanda Salles



M eu  coração sente
A  imensa sensação de plenitude
R i, esperneia dentro de mim
I  ntensamente assim, como se
N o  afã houvesse todo o przer
Á   vida, no bailar cigano que iniciaste...

D ivinamente, Ó Senhora minha,
O que fazes tão silenciosa  nessa praia translúcida?

B eira-mar o Sol  irradia
R iscos, entre mariscos e algas e areia brilhantes
A h! Como seria o dia se a alegria da amizade trouxesse todas as possibilidades!
S im, estaremos lá... No raiar do dia,
I nfinitamente, muito além, do
Limite estabelecido por àqueles que nada sabem de sonhos ou de poesias

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

POEMA DE RESISTÊNCIA- VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES





POEMA DE RESISTÊNCIA

                                             VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES


meu útero em flor anuncia a possibilidade ...
ao florescer a alegria inusitada
da vida!


O SEXTO PRELÚDIO DE VILLAS-LOBO, SEGUNDO VANDA SALLES

Senhora de mim,
aqui,
vos trago prazer. Não reprove. Prove. Goze. Até saciar-se de luz.

É que a Lua toda bela, tão nua revela
em noite serena,
a beleza de teu/no seu olhar

Quiz deter a imensidão do mar
as andorinhas noturnas bicaram os pãezinhos caseiros,
regados de vinho, ervas aromáticas e nacos de queijos.
somente pra dizer a ti o que consiste um prelúdio ao luar. Sabeis?

Amor, talvez não seja a razão, intuição em mim diz
a ilusão não pode redefinir a cor, sabemos a dor
Penses o que quiseres, que
o ciúme bate e vem e fica aguando o amor,
em mim, a solidão permeia
e eu quase enlouqueço só,daí
a música vem e dançamos tão unidas,
somente pra falar-te em linguagem pura,
que não sei viver sem os olhos teus nos meus, assim
impuros,
juro,
de ti imagem/de mim: a fim...






quiz deter a imensidão do mar



domingo, 10 de dezembro de 2017

VANDA SALLES E SUA ARTE PICTÓRICA- EM UM VIÉS ARTETERAPÊUTICO.









SOU NEGRA, E DAÍ?
Vanda Lúcia da Costa Salles-Brasil

Lutar por liberdade não é pecado... é direito
Você me diz que é coisa de negro
Negra sou,
e daí?
E daí? E daí? E daí?

Fractal, meu escudo elevo
meu útero,
não renego ancestralidade
Mulher, parda, moreninha, mesticinha, pixaim.
Minha pele lhe incomoda?
Negra sou... E daí?
E daí? E daí? E daí?

 RJ, 10/12/2017