segunda-feira, 10 de outubro de 2011

BREVE LANÇAMENTO NO CAFÉ LITERÁRIO: UNIVERSO SECRETO, DE VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)


Foto: Livro(contos,Virtualbook,2011), da escritora brasileira VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES.




JOÃO FURA- OLHO E MARIA OLHUDA



... Vejo sempre no viés do espelho esquecido no lago em
que Narciso banhou-se menino ainda, a imagem e voz, que se
repetem às tontas, de João Fura-Olho e Maria Olhuda...
Ambos, escandalosamente, negativos nos soluços de uma
miséria existencial que nem o buraco negro quis engolir... E
aqui, desovou-se em vida... Para alegria de alguns.
Naquele ranhoso dia, beliscando as Parcas, gritaram
bichos:, na expressividade da língua portuguesa, minha
paixão e vida:
- Pagou as contas? Pago eu não! – Diante do caixão
da filha única que falecera de desgosto oriundo da indiferença
familiar, a pouco instante, na hora do parto. E diante de todos,
abandonaram a neta recém nascida, sem um pingo de remorso
ou trauma.
- Eles foram capazes disso?! – Mamãe, olhando
firmemente em meus olhos confirmava calma, afagando-me a
face.
- Os dois se mereciam! – explicava mamãe
convicta.
No plano da memória, preciosas sinapses enlaçam a
teia, e eis que surgem lembranças ternas, apesar dos fatos
mirabolantes e gananciosos, desses propínquos ancestrais.
Parentes próximos, mamãe dizia que eles não eram
desse mundo, e sim, de um outro destituido de valores éticos
e principios básicos, como amor ao próximo ou empatia a
dor humana.
Assim, só pensavam em terras, terras e mais terras…
Até que receberam-na por latifúndio.


( In.: SALLES, Vanda Lúcia da Costa. UNIVERSO SECRETO (Entre o Abismo e a Montanha),Virtualbook,MG:2011).

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

OBRA MAGNA: CAFÉ LITERÁRIO - MUSEU PÓS-MODERNO DE EDUCAÇÃO



Na Foto: A escritora, artista plástica e MEI : VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES, com o seu:



CAFÉ LITERÁRIO - MUSEU PÓS-MODERNO DE EDUCAÇÃO

VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES -MEI
EVENTOS E COMÉRCIO DE OBJETOS DE ARTE

AV. MARICÁ, 3314- LOJA
ALCÂNTARA- SÃO GONÇALO - RJ - BRASIL
CEP 24710-341

TEL.: (21) 77.30.67.04





Foto: Por Rosane Salles Silva











BIBLIOTECA COMUNITÁRIA MARIA AMARAL FERREIRA (IN MEMORIAM):






"UM SONHO É A APROPRIAÇÃO DO QUE MAIS DE HUMANO HÁ NO SER...”

Vanda Lúcia da Costa Salles-BRASIL




ALFABETIZAÇÃO


VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)




Curumim falou
que a floresta pia
pássaros livres

Imaginem! Imaginem!

Se POVO ave!

domingo, 25 de setembro de 2011

CONTO CURTO: DO NADA - VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)




ALÉM DA FLOR DO MARACUJÁ!!!







Foto:Flor de Maracujá




DO NADA



VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)




Não era fada. Nem bruxa. Simplesmente, uma mulher acordando para a vida e sonhando, apesar da luta empreendida e das descobertas. Falava com as estrelas. Inventava coisas nas possibilidades. Às vezes, era denominada de Velha. Tinha dificuldades com as calçadas. Amargurava a velocidade cruel do trânsito em sua travessia. A questão da sustentabilidade entranhava em seu ser. Mas prioridade era compartilhar um sorriso. Além das 3.555 convocações cibernáuticas.
Nas nuvens vivia com seu i-pod! Em seus 103 anos, ninguém afirmaria ser militante. Pois era. Com seu cartaz acampara em frente ao palácio do homem representante. Sabia de objetivos. Também se chamava Canô.
Aposentada sabia: sempre não era uma palavra impossível e ainda era uma Educadora. Gostava da Lira. E isso era TUDO o que possuía: uma vontade muito, mas muito humanizada.
O seu cartaz ( com letras garrafais negras e vermelhas), no tempo e em tempo, fazendo história, apenas dizia:


Operação: Salário digno para os professores. Eu apoio.



( iN: UNIVERSO SECRETO(Entre o Abismo e a Montanha))

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

POESIA: O LAÇO - VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)


Foto: Multiverse




O LAÇO


VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES (BRASIL)


era um Sol
iluminado de vida
no fundo desse amor
que se fez
na ligação dos instantes: a consciência aflorou-se a mim.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

HOMENAGEM: O APANHADOR DE DESPERCÍCIOS- MANOEL DE BARROS (BRASIL)








Foto: Pássaros


O APANHADOR DE DESPERDÍCIOS

MANOEL DE BARROS (BRASIL)


Uso a palavra para compor meus silêncios
Não gosto das palavras
fatigadas de informar.
Dou mais respeito
as que vivem de barriga no chão
tipo água pedra sapo.
Entendo bem o sotaque das águas
Dou respeito às coisas desimportantes
e aos seres desimporantes.
Prezo instos mais que aviões.
Prezo a velocidade
das tartarugas mais que a dos misseis.
Tenho em mim esse atraso de nascença.
Eu fui aparelhado
para gostar de passarinhos.
Tenho abundância de ser feliz por isso.
Meu quintal é maior do que o mundo.
Sou um apanhador de desperdícios:
Amo os restos
como as boas moscas
Queria que a minha voz tivesse um formato de danto.
Porque eu não sou da informática:
eu sou da invencionática.
Só uso a palavra para compor meus silêncios.


( Manoel de Barros. Memória inventadas; a infância. São Paulo. Planeta do Brasil, 2003)

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

ATENÇÃO!!!! AOS AMIGOS POETAS, PINTORES, EDUCADORES E DEMAIS ARTISTAS



Foto: Opera House -Sydney




O NOSSO SITE AGORA É:


http://enlace.no.comunidades.net/
ou
http://www.enlace.no.comunidades.net/



E NOSSA LOJA É:

VANDA LÚCIA DA COSTA SALLES - MEI
EVENTOS( CAFÉ LITERÁRIO) E VENDAS DE OBJETOS DE ARTES ( LIVROS, TELAS PICTÓRICAS, ESCULTURA, POESIAS, ETC)

ALÉM DE UMA BIBLIOTECA COMUNITÁRIA:
MARIA AMARAL FERREIRA ( MARIA SALLES )- IN MEMORIAM

SITUA-SE:

AVENIDA MARICÁ, Nº 3314- LOJA
ALCÂNTARA- SÃO GONÇALO - RJ
BRASIL
CEP: 24.710.007

domingo, 7 de agosto de 2011

HOMENAGEM: O QUE É CONTO - NILTO MACIEL (BRASIL)*



Foto: Bandeira do Brasil




Foto: Nilto Maciel (Brasil)




O QUE É CONTO


NILTO MACIEL (BRASIL)



Os manuais e os dicionários de literatura ensinam que o conto deve ter em si um só drama, um só conflito, uma só unidade dramática, uma só história, uma só ação, uma única célula dramática. Por isso, o conto rejeita as digressões e as extrapolações, ou seja, o passado anterior ao episódio é irrelevante, assim como o são os sucessos posteriores. Sendo o tempo limitado ao momento do drama, também o espaço seria circunscrito a uma sala, um cômodo. Sendo tudo tão restrito, por que as personagens seriam muitas? E a linguagem do conto? A da concisão, com predomínio do diálogo. Chegado o epílogo, o contista há de ter guardado um enigma. Ou o desfecho inesperado, embora determinado desde o começo. E mais uma infinidade de regras, limites, modelos.

Se todos os contistas assim elaborassem contos, há muito teríamos deixado de lado esse gênero cada vez mais rico, por se empobrecer, se uniformizar. Pois não é difícil escrever conto com obediência ao enunciado nos manuais. Os próprios escritores de manuais, os dicionaristas, os professores de literatura, os estudiosos do conto seriam bons contistas. Bastava-lhes seguir o modelo. E assim se deu durante muito tempo. E assim se dá há muito tempo. Não se pode negar, no entanto, que bons contistas não se afastaram de todo (ou em todas as composições) desse molde. Machado de Assis elaborou contos de estrutura tradicional. Guimarães Rosa também. E tantos outros. Assim como escritores medíocres realizaram contos de forma nova, moderna ou revolucionária. Ou seja, o bom conto tanto pode se moldar na tradição como na inovação. Ou não se moldar a nada.

Wilson Martins, no artigo “Contistas”, fez estas observações: “Em termos de literatura, escrever um conto não é contar uma história por escrito — é contá-la com estilo literário, ou seja, com elegância linguística, verossimilhança, sábia estruturação no desenvolvimento da intriga, desenho convincente no caráter dos personagens e invenção de pormenores, tudo concorrendo para defini-lo como obra de arte literária. Também nessa arte tem validade a lei de economia segundo a qual a moeda má expulsa a boa: desanimado com a enxurrada de pseudocontos publicados por pseudocontistas, Mário de Andrade, em desespero de causa, declarou ser conto tudo o que os autores designam como conto – afirmação sarcástica cuja ironia passou larga e convenientemente despercebida, com este resultado inesperado e não menos irônico: passou a ser conto tudo o que se publicava como conto…”

Segundo Assis Brasil, em A nova literatura (Rio de Janeiro: Companhia Editora Americana, 1973), o conto brasileiro se renovou com Samuel Rawet, cuja estréia se deu em 1956 na coleção Contos do Imigrante. E assim argumenta o crítico: “Aquela história linear, de começo, meio e fim, prima-pobre da novela e do romance, quebrava sua feição tradicional em busca de outros valores formais” (…) “o conto adquiria uma forma autônoma, não mais ligado ao convencional do enredo.”

Muitos são os contistas e poetas que mantinham engavetados (ou, melhor dizendo, arquivados em computador) seus escritos e, estimulados por leitores de sites e blogs (também escritores em potencial), resolveram publicar o primeiro livro. Alguns não vêm de muitas leituras, de muitos exercícios de escrita, ou leram e leem, apressadamente, tudo o que lhes aparece diante dos olhos, desde piadinhas e os chamados “contos eróticos” até clássicos da literatura universal. Leituras açodadas, sem anotações, sem consulta a dicionários, etc. A maioria desses novos escritores segue uma linha, um roteiro, uma estrada larga e longa, certos de que lhes espera a fama, a glória. Não conhecem as veredas, os atalhos, as pedras no meio do caminho, os córregos escondidos na mata. Muito menos os subterrâneos e os céus. Vão em procissão ou atrás do trio elétrico. Todos juntos, unidos, de mãos dadas. Seguem o padre, o pastor, o caminhão do som. Cantam o mesmo refrão. Estão na folia de reis ou na folia do carnaval. São foliões.

Poucos desses contistas e poetas novos vêm da leitura dos contos de fadas, dos poetas românticos, parnasianos e simbolistas, dos romancistas russos e franceses do século XIX, dos rabiscos na adolescência, dos primeiros versos na juventude, dos arremedos de contos e romances ao tempo da escola e da faculdade. Poucos se vão fazendo escritores. Sabem que não nascemos feitos, prontos. Muito menos que esse “estar pronto” (ou quase pronto) não se dá num passe de mágica.

Estreou em livro Graciliano Ramos aos 41 anos de idade. Isto não quer dizer que tenha começado a escrever tarde. O exercício de escrever está para o escritor como o exercício de andar e falar está para os recém-nascidos. O aprendizado faz-se lentamente. Escrever, no entanto, não é um mecanismo inerente a todos. Como não o é compor música ou pintar quadros. Exercitar o ato de escrever pode resultar num São Bernardo, após anos e anos de exercício contínuo, diário, quase febril. Ou pode redundar em historietas de gosto discutível. Isso quando o candidato a escritor é muito pretensioso. Quando não o é, termina escrevendo artigos ou reportagens. Se chegar a tanto.

A arte, ao contrário da ciência ou da sabedoria, é um mistério até para seu criador. Porque o artista é também um homem comum, embora momentaneamente arrebatado pelo mistério da arte. O artista não “entende” a arte que ele mesmo reflete, exceto no instante da “criação”, ou, melhor dizendo, da captação. Se o chamado artista entende sua chamada arte, nem ele nem ela são artista e arte. São copiadores, no pior dos casos, ou técnicos em escrever, no caso do simplesmente escritor. Ou apenas homens inteligentes. O artista não é necessariamente um homem inteligente.

O narrador (autor de prosa de ficção), como o poeta, é um curioso, um escavador, um repórter. Um vagabundo à cata de aventuras, de pessoas, de fatos. Para disso extrair a matéria-prima de suas “criações” ou “criaturas”. Os outros não percebem nada, porque, no máximo, veem. Ou não veem, porque não buscam ver.

Nenhum ficcionista cria tipos, inventa personagens. Se o fizesse, estaria abstraindo o homem e fracassaria como escritor. O que realiza é, primeiro, uma descoberta, porque o ser humano é sempre terra desconhecida. Descobre o seu semelhante. Crê na sua existência, como os navegadores antigos acreditavam nos mundos novos. E parte no seu rumo. E o explora, sozinho. Penetra-o, confunde-se com ele. Revela-o. O ficcionista é um revelador. De mundos reais e quase sempre ignorados.

A história curta, tradicionalmente conhecida como conto, não só tem servido de objeto de discussões de ficcionistas e teóricos da literatura em busca de definições, como tem dado ensejo a constantes rebatismos, mercê das transformações que tem sofrido. Muitos encontraram belas e grandiosas definições. Arranjar, porém, novos nomes para o gênero parece tarefa sem proveito. Porque a cada definição e a cada transformação seria preciso um novo batismo. Assim, o termo relato, se serve a Borges, não se amolda a Rubião. Até um mesmo escritor cultua o gênero sob diversas formas.

Todo contista sonhará escrever um grande romance? Contos mais longos seriam ensaios para romances? Talvez sim, inconscientemente. Ensaio que não deveria ser levado ao palco, sob pena de vaias do público. Os bons narradores escrevem contos ou romances e novelas. Nunca confundem alhos com bugalhos.

Talvez seja equivocada a ideia de unidade temática em livro de contos. Ora, uma peça curta, como conto e poema, será sempre uma peça curta, mesmo que momentaneamente inserida num volume junto a outras. Quando se fala de “Cantiga de esponsais”, pouco importa se foi publicada neste ou naquela coleção de Machado de Assis, embora só pudesse estar em Histórias sem data, porque assim o quis o autor. Mas isso não significa nada para o leitor (é de interesse do pesquisador, do estudioso, do historiador, etc).


Os gêneros literários estão em constante mutação e interligação. No Brasil ainda se praticam contos aos modos de Flaubert, Balzac, Eça de Queiroz, Machado de Assis, Edgar Allan Poe, Maupassant, Tchecov e outros, todos diferentes entre si. Uns se perdem no meio do caminho e enveredam pela crônica. Outros querem escrever História, que também é crônica. Há até o conto-ensaio. A maioria, no entanto, permanece presa aos ditames do velho e bom realismo. Uns não se afastam do sertão ou do mundo rural. Outros se transviam pelos becos das urbes. Há os que não sabem de matos nem de ruas e preferem os meandros da mente. Uns leram muito, outros nada leram. Uns souberam vagar pelos abismos de Poe, pularam fora dos livros, outros permaneceram de olhos vidrados na paisagem aberta diante de suas janelas. Uns se exercitaram mais, outros se contentaram com os primeiros mugidos. Tem sido assim, é assim, será assim sempre.
Não há mais o conto, no sentido tradicional, dicionarizado do termo. Conto é apenas termo literário de manual e dicionário. Para orientação dos editores e dos professores de literatura. Quem disse que Machado só escreveu contos, romances, poemas e crônicas? Gilmar de Carvalho escreve legendas, Carlos Emílio escreve delírios verbais, Jorge Pieiro escreve contemas, outros querem imitar Maupassant ou Tchekov. O que importa não é a forma, se há atmosfera ou não, se há enredo ou não. Ser ou não ser conto, isto é lá para os filósofos. Importa ser arte literária.

In: http://raymundo-netto.blogspot.com/2011/04/momento-teorico-literario-o-que-e-conto.html